02/05/2008

O QUE É PROSPERIDADE?:

TEXTO: Gn 26: 11-14 ; Gn 30: 25 e 26
Intrudução:

O QUE É PROSPERIDADE?:

Prosperidade é uma condição espiritual e não financeira (ainda que dela venham os recursos).

Nós vemos dois momentos distintos na vida de dois homens: Isaque e Jacó. Jacó, após vinte anos de sofrimento e roubo em todas as áreas de sua vida, principalmente a financeira, finalmente começou a viver a prosperidade do Senhor a partir do momento em que entendeu que deveria fazer uma entrega mais profunda de vida a Deus. Isaque, mesmo perseguido pelos filisteus que entulhavam seus poços, saía atrás de novas fontes de suprimento e as encontrava, pois sua vida era dirigida desde o início por Deus e conseqüentemente, a bênção e a prosperidade do Senhor estavam sobre ele.

Hoje é dia de você tomar a decisão de qual modelo quer seguir: o de Jacó que foi próspero ao final mas que sofreu muito, ou o de Isaque que desde o início até ao fim de sua vida foi próspero!

ISAQUE OU JACÓ?
Na questão do controle da alma:
Isaque: Tinha seus sentimentos diante da vontade de Deus (Gn 24: 37-40)

Jacó: Era levado pelas emoções e pelo coração (Gn 29: 11 e 20) "

Na questão do controle do corpo:

Isaque: Tinha equilíbrio em relação ao sexo oposto (Gn 26: 6-9)

Jacó: Era dominado pelo desejo dos olhos abrindo mão até de valores pessoais (Gn 29: 23-28)
Abriu mão de seu tempo e futuro para trabalhar de graça por uma mulher que se tornou seu objeto de desejo

Na questão do controle do espírito:
Isaque: Era homem de oração e compromisso com Deus (Gn 25: 20-21)

Jacó: Não tinha compromisso com Deus e nem O valorizava (Gn 28: 6, 21 e 22)

COMO ABRIR-SE PARA SER PRÓSPERO:

1ª ATITUDE - Deixar de confiar em si para confiar em Deus (Gn 30: 43 43)
Após tantos anos de um período em que tentou manipular, dar jeitinho, encurtar o caminho, em que confiou na carne e, com tudo isso se deu mau, Jacó começou a perceber que o mesmo Deus que o visitara com uma promessa desde o início era quem estava agora mudando a sua sorte.

No momento em que Jacó entendeu isso e começou confiar sua vida a Deus, prosperou abundantemente. Deus quer que você aprenda a confiar em sua palavra e promessa para que Ele possa Ter espaço de agir poderosamente em sua vida. (Hebreus 10:23)

2ª ATITUDE - Não temer a concorrência ou a desonestidade deles (Gn 31: 5-7, 13, 18, 42 5)
O reconhecimento de Deus em sua vida fez de Jacó um homem próspero como seu pai, Isaque. A Palavra de Deus diz: (Pv 3:6) “Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas”.
Quando reconhecemos Deus operando em nossas vidas, começamos a enxergar os detalhes: onde Ele tem nos preservado, como Ele tem trazido o livramento e a provisão, como Ele tem impedido que sejamos consumidos. Esse reconhecimento nos faz andar em santidade diante de Deus e a partir daí não tememos mais aos "Labões da vida" que estão aí para trazer o roubo, mas descansamos sabendo que a nossa vida está nas mãos de Deus.

3ª ATITUDE - Tirar todas as contaminações do teu passado para ser um servo próspero (Gn 35: 2-5)

O reconhecimento de Deus veio, a santidade veio em seguida - Jacó limpou a eira, e isso fez com que seus inimigos começassem a temê-lo (antes era ele quem temia aos inimigos, inclusive a Esaú).

Quando limpamos da nossa vida como um todo as contaminações do passado e os costumes da terra o jogo se inverte, pois aquilo que habilitava o inimigo cai por terra e passamos a ser vencedores.

Limpe a sua vida, lance fora as contaminações, não dependa de nada que não proceda de Deus e prepare-se para que a arca da aliança (Jesus Cristo) venha e traga prosperidade à sua vida!

Conclusão: Os judeus se gabavam de serem "filhos" de Abraão - pai de Isaque, pai de Jacó.

No controle total - corpo, alma e espírito:

Isaque: Era homem de uma só mulher (era fiel) (Gn 25: 21 e 22)

Jacó: Teve quatro mulheres - se deixou levar pêlos costumes da terra (Gn 35: 23-26)

21/04/2008

A LEPRA DO PECADO

Na vida de Naamã, encontramos um retrato vivo do pecador que necessita do auxilio, graça e misericórdia de Deus.

I - A CONDICAO DE NAAMA

1-Era um grande valente do rei da Siria- Sua fama percorria toda nação e países adjacentes.
· Através de sua bravura, sua nação havia se tornado uma potencia.

2- Alem de um grande valente, era um general, chefe do exercito do rei.
· Gozava de grande estima do seu senhor, o rei.
3- Apesar de toda fama, respeito e popularidade, Naamã, era um homem leproso.
· A lepra é símbolo do pecado. Não importa o quanto um homem tenha triunfado em outras esferas da sua vida, o seu grande inimigo é o pecado e só Deus pode garantir a vitoria.

II- NAAMA, BUSCA O REMEDIO PARA O SEU MAL

1- É enviado ao rei de Israel.
· Traz consigo muitos presentes valiosos para ofertar.

2- Assim como Naamã, muitos buscam o perdão de quem são incapazes de concedê-los .

3- O profeta o chama e lhe dá ordens, porem Naamã se sentiu ofendido por receber ordenanças.
· O orgulho de Naamã, porejetava nele uma imagem de um grande banquete real, com todos os nobres de Israel, estivessem presentes para sua recepção.
· Também esperava que todo os lidere religioso viessem lhe prestar homenagens através de seus discursos, mas, apenas um moco lhe apareceu com um recado humilhante demais para quem estava acostumado a dar ordens.

4- Como Naamã, o pecador quer impressionar Deus com seus esforços e ofertas, mas assim jamais receberá a bênção que necessita.

III- DEUS FALA A NAAMA

1- Por meio de uma menina, escrava em sua casa (v. 2,3)
2- Por meio de o profeta que lhe ordenou que mergulhasse sete vezes no Jordão (v.10)
3- Por meio de seus criados que lhe persuadiram a obedecer (v.13)
4- Quando Naamã, resolveu obedecer todas as ordenanças que o Senhor lhe falou através do profeta, então sua pele rejuvenesceu como a pele de uma criança e voltou sarado de sua lepra (v.14)

APLICACAO
Quantas vezes Deus têm falando conosco, pecamos contra sua vontade, porque queremos impressionar com nossos esforços e vanglorias que galgarmos numa esfera do sensacionalismo . Deus nos oferece o perdão através do seu Filho Jesus Cristo e nos chama por meio da pregação do evangelho e testemunhos de cristãos humildes.

11/04/2008

Deus Não se Esqueceu de Você

IS 49: 14-16 – O povo de Deus (Israel) estava passando por um grande sofrimento e estavam se sentindo abandonados e esquecidos por Deus.
· Talvez você esteja passando neste momento por um período difícil da sua vida, talvez haja muito tempo você esteja orando por determinada situação, sem resposta, sem sinal nenhum.
· E como Israel você tem falado Deus se esqueceu de mim, me abandonou.
V 15 – Deus está dizendo ao seu povo, que o seu amor é maior que o amor de uma mãe que se dedica ao seu filho.
· Deus está dizendo que é IMPOSSÍVEL Ele se esquecer daqueles que pertencem a Ele.
· Ainda que uma mãe se esqueça, Ele não esquece aleluia!!! Deus não se ESQUECE (At 10: 4, Lc 1:13).
JER 31: 20 – Sua compaixão por nós jamais cessará.
· Muitas mães abandonam os seus filhos, mas Deus não, porque somos preciosos para Ele (precioso: algo que vale muito). Você vale muito para o Senhor.
· Valemos muito para o Senhor! Mas às vezes pensamos como valemos muito para Deus se eu estou nessa situação? Olha a minha vida como está!
JÓ 3:1 – Jó neste momento também se sente abandonado e esquecido por Deus.
· Só que no mundo espiritual estava acontecendo algo que Jó não sabia.
JÓ 2:6 – Jó como você era precioso para o Senhor, à vida dele foi poupada, porque Deus não havia abandonado e nem se esquecido do seu servo.
· O propósito de Deus na vida de Jó ainda não havia acabado.
· Deus ainda tinha um propósito na vida de Jó, Deus ainda tem um propósito na sua vida meu irmão (ã).
JÓ 42: 5 – Deus se revelou, houve um conhecimento mais profundo de Deus na vida de Jó.
V 8 – Jó obteve de Deus autoridade espiritual, antes só orava somente por si e pelos seus, agora intercedia por outros (ganhou ousadia). Jó virou sacerdote, podia interceder por outros e receber ofertas.
V 10-17 – Deus não havia se esquecido de Jó, satanás foi envergonhado, enganado, Deus estava usando satanás como um instrumento para trabalhar na vida de Jó e ele não sabia aleluia!
IS 49: 16 – Era um costume as mães gravarem o nome dos seus filhos na palma da mão, pois os filhos eram tirados delas para serem vendidos e elas iam trabalhar como escravas.
· Para elas não se esquecerem deles, gravavam os seus nomes na palma da mão e quando queriam se lembrar deles olhavam para a palma da mão.
· Eu tenho uma novidade para você que é filho (a) de Deus: DEUS GRAVOU O TEU NOME NA PALMA DA MÃO DELE, ALELUIA!!! ELE ESTÁ OLHANDO PARA ELA AGORA MESMO E ESTÁ VENDO O SEU NOME ESCRITO NELA!


· Ele te ama e jamais vai se esquecer de você!

A VIDA DO APÓSTOLO PAULO

“Ele era um homem de pequena estatura”, afirmam os Atos de Paulo, escrito apócrifo do segundo século, “parcial-mente calvo, pernas arqueadas, de compleição robusta, olhos próximos um do outro, e nariz um tanto curvo.”
Se esta descrição merecer crédito, ela fala um bocado mais a respeito desse homem natural de Tarso, que viveu quase sete décadas cheias de acontecimentos após o nascimento de Jesus. Ela se encaixaria no registro do próprio Paulo de um insulto dirigido contra ele em Corinto. “As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca, e a palavra desprezível” (2 Co 10:10).
Sua verdadeira aparência teremos de deixar por conta dos artistas, pois não sabemos ao certo. Matérias mais importantes, porém, demandam atenção — o que ele sentia, o que ele ensinava, o que ele fazia.
Sabemos o que esse homem de Tarso chegou a crer acerca da pessoa e obra de Cristo, e de outros assuntos cruciais para a fé cristã. As cartas procedentes de sua pena, preservadas no Novo Testamento, dão eloqüente testemunho da paixão de suas convicções e do poder de sua lógica.
Aqui e acolá em suas cartas encontramos pedacinhos de autobiografia. Também temos, nos Atos dos Apóstolos, um amplo esboço das atividades de Paulo. Lucas, autor dos Atos, era médico e historiador gentio do primeiro século.
Assim, enquanto o teólogo tem material suficiente para criar intérminos debates acerca daquilo em que Paulo acreditava, o historiador dispõe de parcos registros. Quem se der ao trabalho de escrever a biografia de Paulo descobrirá lacunas na vida do apóstolo que só poderão ser preenchidas por conjeturas.
A semelhança de um meteoro brilhante, Paulo lampeja repentinamente em cena como um adulto numa crise religiosa, resolvida pela conversão. Desaparece por muitos anos de preparação. Reaparece no papel de estadista missionário, e durante algum tempo podemos acompanhar seus movimentos através do horizonte do primeiro século. Antes de sua morte, ele flameja até entrar nas sombras além do alcance da vista.
Sua Juventude:
Antes, porém, que possamos entender Paulo, o missionário cristão aos gentios, é necessário que passemos algum tempo com Saulo de Tarso, o jovem fariseu. Encontramos em Atos a explicação de Paulo sobre sua identidade: “Eu sou judeu, natural de Tarso, cidade não insignificante da Cilícia” (At 21:39). Esta afirmação nos dá o primeiro fio para tecermos o pano de fundo da vida de Paulo.
A) Da Cidade de Tarso. No primeiro século, Tarso era a principal cidade da província da Cilícia na parte oriental da Ásia Menor. Embora localizada cerca de 16 km no interior, a cidade era um importante porto que dava acesso ao mar por via do rio Cnido, que passava no meio dela.
Ao norte de Tarso erguiam-se imponentes, cobertas de neve, as montanhas do Tauro, que forneciam a madeira que constituía um dos principais artigos de comércio dos mercadores tarsenses. Uma im­portante estrada romana corria ao norte, fora da cidade e através de um estreito desfiladeiro nas montanhas, conhecido como “Portas C­licianas”. Muitas lutas militares antigas foram travadas nesse passo entre as montanhas.
Tarso era uma cidade de fronteira, um lugar de encontro do Leste e do Oeste, e uma encruzilhada para o comércio que fluía em ambas as direções, por terra e por mar. Tarso possuía uma preciosa herança. Os fatos e as lendas se entremesclavam, tornando seus cidadãos ferozmente orgulhosos de seu passado.
O general romano Marco Antônio concedeu-lhe o privilégio de libera civitas (“cidade livre”) em 42 a.C. Por conseguinte, embora fizesse parte de uma província romana, era autônoma, e não estava sujeita a pagar tributo a Roma. As tradições democráticas da cidade-estado grega de longa data estavam estabelecidas no tempo de Paulo.
Nessa cidade cresceu o jovem Saulo. Em seus escritos, encontramos reflexos de vistas e cenas de Tarso de quando ele era rapaz. Em nítido contraste com as ilustrações rurais de Jesus, as metáforas de Paulo têm origem na vida citadina.
O reflexo do sol mediterrânico nos capacetes e lanças romanos teriam sido uma visão comum em Tarso durante a infância de Saulo. Talvez fosse este o fundo histórico para a sua ilustração concernente à guerra cristã, na qual ele insiste em que “as armas da nossa milícia não são carnais, e, sim, poderosas em Deus, para destruir fortalezas” (2 Co 10:4).
Paulo escreve de “naufragar” (1 Tm 1:19), do “oleiro” (Rm 9:21), de ser conduzido em “triunfo” (2 Co 2:14). Ele compara o “tabernáculo terrestre” desta vida a um edifício de Deus, casa não feita por mãos, eterna, nos céus” (2 Co 5:1). Ele toma a palavra grega para teatro e, com audácia, aplica-a aos apóstolos, dizendo: “nos tornamos um espetáculo (teatro) ao mundo” (1 Co­ 4:9).
Tais declarações refletem a vida típica da cidade em que Paulo passou os anos formativos da sua meninice. Assim as vistas e os sons deste azafamado porto marítimo formam um pano de fundo em face do qual a vida e o pensamento de Paulo se tornaram mais compreensíveis. Não é de admirar que ele se referisse a Tarso como “cidade não insignificante”.
Os filósofos de Tarso eram quase todos estóicos. As idéias estóicas, embora essencialmente pagãs, produziram alguns dos mais nobres pensadores do mundo antigo. Atenodoro de Tarso é um esplêndido exemplo.
Embora Atenodoro tenha morrido no ano 7 d.C., quando Saulo não passava de um menino pequeno, por muito tempo o seu nome permaneceu como herói em Tarso. E quase impossível que o jovem Saulo não tivesse ouvido algo a respeito dele.
Quanto, exatamente, foi o contato que o jovem Saulo teve com esse mundo da filosofia em Tarso? Não sabemos; ele não no-lo disse. Mas as marcas da ampla educação e contato com a erudição grega o acompanham quando homem feito. Ele sabia o suficiente sobre tais questões para pleitear diante de toda sorte de homens a causa que ele representava. Também estava cônscio dos perigos das filosofias religiosas especulativas dos gregos. “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens... e não segundo Cristo”, foi sua advertência à igreja de Colossos (Cl 2:8).
B) Cidadão Romano. Paulo não era apenas “cidadão de uma cidade não insignificante”, mas também cidadão romano. Isso nos dá ainda outra pista para o fundo histórico de sua meninice.
Em At 22:24-29 vemos Paulo conversando com um centurião romano e com um tribuno romano. (Centurião era um militar de alta patente no exército romano com 100 homens sob seu comando; o tribuno, neste caso, seria um comandante militar.) Por ordens do tribuno, o centurião estava prestes a açoitar Paulo. Mas o Apóstolo protestou: “Ser-vos-á porventura lícito açoitar um cidadão romano, sem estar condenado?” (At 22:25). O centurião levou a notícia ao tribuno, que fez mais inquirição. A ele Paulo não só afirmou sua cidadania romana mas explicou como se tornara tal: “Por direito de nascimento” (At 22:28). Isso implica que seu pai fora cidadão romano.
Podia-se obter a cidadania romana de vários modos. O tribuno, ou comandante, desta narrativa, declara haver “comprado” sua cidadania por “grande soma de dinheiro” (At 22:28). No mais das vezes, porém, a cidadania era uma recompensa por algum serviço de distinção fora do comum ao Império Romano, ou era concedida quando um escravo recebia a liberdade.
A cidadania romana era preciosa, pois acarretava direitos e privilégios especiais como, por exemplo, a isenção de certas formas de castigo. Um cidadão romano não podia ser açoitado nem crucificado.
Todavia, o relacionamento dos judeus com Roma não era de todo feliz. Raramente os judeus se tornavam cidadãos romanos. Quase todos os judeus que alcançaram a cidadania moravam fora da Palestina.
C) De Descendência Judaica. Devemos, também, considerar a ascendência judaica de Paulo e o impacto da fé religiosa de sua família. Ele se descreve aos cristãos de Filipos como “da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu” (Fp 3:5). Noutra ocasião ele chamou a si próprio de “israelita da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim” (Rm 11:1).
Dessa forma Paulo pertencia a uma linhagem que remontava ao pai de seu povo, Abraão. Da tribo de Benjamim saíra o primeiro rei de Israel, Saul, em consideração ao qual o menino de Tarso fora chamado Saulo.
A escola da sinagoga ajudava os pais judeus a transmitir a herança religiosa de Israel aos filhos. O menino começava a ler as Escrituras com apenas cinco anos de idade. Aos dez, estaria estudando a Mishna com suas interpretações emaranhadas da Lei. Assim, ele se aprofundou na história, nos costumes, nas Escrituras e na língua do seu povo. O vocabulário posterior de Paulo era fortemente colorido pela linguagem da Septuaginta, a Bíblia dos judeus helenistas.
Dentre os principais “partidos” dos judeus, os fariseus eram os mais estritos (veja o capítulo 5, “Os Judeus nos Tempos do Novo Testamento”). Estavam decididos a resistir aos esforços de seus conquistadores romanos de impor-lhes novas crenças e novos estilos de vida. No primeiro século eles se haviam tornado a “aristocracia espiritual” de seu povo. Paulo era fariseu, “filho de fariseus” (At 23.6). Podemos estar certos, pois, de que seu preparo religioso tinha raízes na lealdade aos regulamentos da Lei, conforme a interpretavam os rabinos. Aos treze anos ele devia assumir responsabilidade pessoal pela obediência a essa Lei.
Saulo de Tarso passou em Jerusalém sua virilidade “aos pés de Gamaliel”, onde foi instruído “segundo a exatidão da lei. . .“ (At 22:3). Gamaliel era neto de Hillel, um dos maiores rabinos judeus. A escola de Hilel era a mais liberal das duas principais escolas de pensamento entre os fariseus. Em Atos 5:33-39 temos um vislumbre de Gamaliel, descrito como “acatado por todo o povo.”
Exigia-se dos estudantes rabínicos que aprendessem um ofício de sorte que pudessem, mais tarde, ensinar sem tornar-se um ônus para o povo. Paulo escolheu uma indústria típica de Tarso, fabricar tendas de tecido de pêlo de cabra. Sua perícia nessa profissão proporcionou-lhe mais tarde um grande incremento em sua obra missionária.
Após completar seus estudos com Gamaliel, esse jovem fariseu provavelmente voltou para sua casa em Tarso onde passou alguns anos. Não temos evidência de que ele se tenha encontrado com Jesus ou que o tivesse conhecido durante o ministério do Mestre na terra.
Da pena do próprio Paulo bem como do livro de Atos vem-nos a informação de que depois ele voltou a Jerusalém e dedicou suas energias à perseguição dos judeus que seguiam os ensinamentos de Jesus de Nazaré. Paulo nunca pôde perdoar-se pelo ódio e pela violência que caracterizaram sua vida durante esses anos. “Porque eu sou o menor dos apóstolos”, escreveu ele mais tarde, “. . . pois persegui a igreja de Deus” (1 Co 15:9). Em outras passagens ele se denomina “perseguidor da igreja” (Fp 3:6), “como sobremaneira perseguia eu a igreja de Deus e a devastava” (Gl 1:13).
Uma referência autobiográfica na primeira carta de Paulo a Timóteo jorra alguma luz sobre a questão de como um homem de consciência tão sensível pudesse participar dessa violência contra o seu próprio povo. “. . . noutro tempo era blasfemo e perseguidor e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade” (1 Tm 1:13). A história da religião está repleta de exemplos de outros que cometeram o mesmo erro. No mesmo trecho, Paulo refere a si próprio como “o principal” dos pecadores” (1 T 1:15), sem dúvida alguma por ter ele perseguido a Cristo e seus seguidores.
D) A Morte de Estevão. Não fora pelo modo como Estevão morreu (At 7:54-60), o jovem Saulo podia ter deixado a cena do apedrejamento sem comoção alguma, ele que havia tomado conta das vestes dos apedrejadores. Teria parecido apenas outra execução legal.
Mas quando Estevão se ajoelhou e as pedras martirizantes choveram sobre sua cabeça indefensa, ele deu testemunho da visão de Cristo na glória, e orou: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (Atos 7:60).
Embora essa crise tenha lançado Paulo em sua carreira como caçador de hereges, é natural supor que as palavras de Estevão tenham permanecido com ele de sorte que ele se tornou “caçado” também —caçado pela consciência.
E) Uma Carreira de Perseguição. Os eventos que se seguiram ao martírio de Estevão não são agradáveis de ler. A história é narrada num só fôlego: “Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere” (Atos 8:3).
A Conversão:
A perseguição em Jerusalém na realidade espalhou a semente da fé. Os crentes se dispersaram e em breve a nova fé estava sendo pregada por toda a parte (cf. Atos 8:4). “Respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor” (Atos 9:1), Saulo resolveu que já era tempo de levar a campanha a algumas das “cidades estrangeiras” nas quais se abrigaram os discípulos dispersos. O comprido braço do Sinédrio podia alcançar a mais longínqua sinagoga do império em questões de religião. Nesse tempo, os seguidores de Cristo ainda eram considerados como seita herética.
Assim, Saulo partiu para Damasco, cerca de 240 km distante, provido de credenciais que lhe dariam autoridade para, encontrando os “que eram do caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para Jerusalém” (Atos 9:2).
Que é que se passava na mente de Saulo durante a viagem, dia após dia, no pó da estrada e sob o calor escaldante do sol? A auto-revelação intensamente pessoal de Romanos 7:7-13 pode dar-nos uma pista. Vemos aqui a luta de um homem consciencioso para encontrar paz mediante a observância de todas as pormenorizadas ramificações da Lei.
Isso o libertou? A resposta de Paulo, baseada em sua experiência, foi negativa. Pelo contrário, tornou-se um peso e uma tensão intoleráveis. A influência do ambiente helertístico de Tarso não deve ser menosprezada ao tentarmos encontrar o motivo da frustração interior de Saulo. Depois de seu retorno a Jerusalém, ele deve ter achado irritante o rígido farisaísmo, muito embora professasse aceitá-lo de todo o coração. Ele havia respirado ar mais livre durante a maior parte de sua vida, e não poderia renunciar à liberdade a que estava acostumado.
Contudo, era de natureza espiritual o motivo mais profundo de sua tristeza. Ele tentara guardar a Lei, mas descobrira que não poderia fazê-lo em virtude de sua natureza pecaminosa decaída. De que modo, pois, poderia ele ser reto para com Deus?
Com Damasco à vista, aconteceu uma coisa momentosa. Num lampejo cegante, Paulo se viu despido de todo o orgulho e presunção, como perseguidor do Messias de Deus e do seu povo. Estevão estivera certo, e ele errado. Em face do Cristo vivo, Saulo capitulou. Ele ouviu uma voz que dizia: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues;. . . levanta-te, e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer” (At 9:5-6). E Saulo obedeceu.
Durante sua estada na cidade, “Esteve três dias sem ver, durante os quais nada comeu nem bebeu” (Atos 9:9). Um discípulo residente em Damasco, por nome Ananias, tornou-se amigo e conselheiro, um homem que não teve receio de crer que a conversão de Paulo’ fora autêntica. Mediante as orações de Ananias, Deus restaurou a vista a Paulo.

2. As Origens de Israel

2.1. A Teoria da Conquista

Israel invade a terra de Canaã, vindo da Transjordânia, pelo final do século XIII a.C. As tribos lutam unidas e, fazendo uma campanha militar em três fases, dirigidas ao centro, sul e norte, ocupam o país, destruindo seus habitantes, no espaço de uns 25 anos.

Esta é a visão de Js 1-12 e a que dominou no mundo judaico. A síntese de Js 10,40-43 diz o seguinte:"Assim Josué conquistou toda a terra, a saber: a montanha, o Negueb, a planície e as encostas, com todos os seus reis. Não deixou nenhum sobrevivente e votou todo ser vivo ao anátema, conforme havia ordenado Iahweh, o Deus de Israel; Josué os destruiu desde Cades Barne até Gaza, e toda a terra de Gósen até Gabaon. Todos esses reis com suas terras, Josué os tomou de uma só vez, porquanto Iahweh, Deus de Israel, combatia por Israel. Finalmente Josué, com todo Israel, voltou ao acampamento em Guilgal".

Mapas do Israel atual? Confira aqui!


Alguns defendem esta teoria, com matizes, baseados na "evidência" arqueológica como William Foxwell Albright, George Ernest Wright, Yehezkel Kaufmann, Nelson Glueck, Yigael Yadin, Abraham Malamat, John Bright, este último moderadamente[1]. A arqueologia atesta:

a) Uma ampla destruição de cidades cananéias no final do século XIII a.C. Do norte para o sul, são essas as cidades: Hazor, Meguido, Succoth, Betel, Bet-Shemesh, Ashdod, Lakish, Eglon e Debir.

Destas 9 cidades, 4 são ditas especificamente como destruídas por Josué:

Hazor: Js 11,10-11

Lakish: Js 10,31-33

Eglon: Js 10,34-35

Debir: Js 10,38-39

b) A não destruição de cidades que os textos confirmam como não tendo sido tomadas por Josué:

Gibeon: Js 9

Taanach: Jz 1,27

Siquém: Js 24

Jerusalém: Js 15,63; 2Sm 5,6-9

Bet-Shean: Jz 1,27-28

Gezer: Js 10,33

c) A reocupação das cidades destruídas foi homogênea e pode ser relacionada com a ocupação israelita que se seguiu à conquista. Além do que tal ocupação mostra, na sua maior parte, um empobrecimento técnico, típico do assentamento de populações seminômades (o tipo de cerâmica, de construções, de utensílios etc).

d) Localidades que estavam abandonadas há muito tempo são ocupadas nova­mente no século XIII a.C., como: Dor, Gibeah, Bersabéia, Silo, Ai, Mispa, Bet-Zur...

Ora, em nenhuma destas evidências aparece qualquer inscrição dizendo tratar-se de Israel. Mas como nenhum outro povo ocupou tal região neste período, quem poderia ser senão Israel?

Porém:

· os dados arqueológicos não são puros, são interpretados

· várias destruições podem ter sido feitas por lutas internas, lutas entre as cidades cananéias

· o livro dos Juízes relata a conquista de maneira individualizada, feita pelas várias tribos isoladamente e não uma ação conjunta de um pretenso Israel unido

· o Dtr marcou muito sua obra com propósitos teológicos - necessários no tempo do exílio - e não tinha a nossa concepção de história. Ele projetou muito no passado o que era projeto para o presente, como:

· o hérem ou "anátema", uma guerra de extermínio, com o objetivo de manter os israelitas separados das populações estrangeiras que ocuparam a Palestina durante o exílio

· o processo de nacionalização através do chefe único - Josué - que interessava na reunificação dos israelitas no pós-exílio, quando na realidade Josué deve ter comandado apenas tribos da "casa de José", como Efraim, Manassés, Benjamim

· a chave litúrgica na apresentação dos fatos (o que interessava aos levitas e à reforma de Josias) como: a tomada de Jericó (Js 6), a travessia do Jordão (Js 3-5), o culto praticado num só lugar, na seqüência Guilgal, Silo, Siquém (Js 5,10;18,1;24,1) e a condenação do culto praticado em qualquer outro lugar (Jz 17-18), quando, na verdade, os lugares de culto parecem ter sido muitos nesta época, e contemporâneos!

· as cidades de Jericó, Ai e Gibeon não podem ter sido conquistadas nesta época, segundo os arqueólogos. Jericó foi destruída no século XIV a.C. e não há indícios de destruição nos séculos XIII-XII a.C., nem de reocupação; Ai (= ruína) também já fora destruída muito tempo antes, no III milênio. Gibeon não era nenhuma cidade importante na época de Josué, segundo mostra a arqueologia (cf. Js 9)

· o livro de Josué recorre muito à etiologia, quando diz: "e (tal está assim) até o dia de hoje" (Js 4,9;5,9;6,25;7,26;8,28-29;9,27;10,27 etc). O mesmo acontece com o livro dos Juízes. Qual o valor histórico destes relatos?

2.2. A Teoria da Instalação Pacífica
Modelo defendido por Albrecht Alt (1925;1939), Martin Noth (1940;1950), Manfred Weippert, Siegfried Hermann, José Alberto Soggin, Yohanan Aharoni e outros[2]. Os relatos de conquista de Josué são etiológicos e Josué não passou de um chefe local efraimita. As tribos foram ocupando os espaços vazios entre as cidades-estado cananéias, sem um conflito generalizado e organizado. Os conflitos aconteciam quando um clã invadia o território de uma cidade-estado[3].

Tal teoria baseia-se na análise crítica dos textos bíblicos e interpreta à sua luz os dados arqueológicos, que assim acabam confirmando-na. Apóia-se também nas tradições patriarcais do Gênesis: os patriarcas viviam, mais ou menos pacificamente, nas proximidades das cidades cananéias[4].

Defende uma entrada diferenciada na Palestina, para as tribos israelitas: êxodos diferentes para os vários grupos, pelo menos, para o sul e para o norte. Ligas anfictiônicas: primeiro duas (Noth): uma de clãs do sul (6 clãs posteriormente assimilados a Judá) e outra de tribos do norte. Depois sua união, antes da monarquia, em doze tribos. Noth liga os hebreus aos hapiru.

Problemas:

· anfictionia israelita?

· hapiru/hebreu?

· conceito de etiologia e narrativas etiológicas

· e as destruições do final do século XIII a.C.?

2.3. A Teoria da Revolta
A teoria da revolta foi defendida primeiro por George Mendenhall, com um artigo[5] chamado The Hebrew Conquest of Palestine, publicado em Biblical Archaeologist 25, pp. 66-87, 1962. O artigo já começa com uma constatação, que hoje tornou-se lugar comum em congressos ou salas de aula: "Não existe problema da história bíblica que seja mais difícil do que a reconstrução do processo histórico pelo qual as Doze Tribos do antigo Israel se estabeleceram na Palestina e norte da Transjordânia"[6].

De fato, a narrativa bíblica enfatiza os poderosos atos de Iahweh que liberta o povo do Egito, o conduz pelo deserto e lhe dá a terra, informando-nos, deste modo, sobre a visão e os objetivos teológicos dos narradores de séculos depois, mas ocultando-nos as circunstâncias econômicas, sociais e políticas em que se deu o surgimento de Israel.

Frente a isso, os pesquisadores sempre utilizaram modelos ideais para descrever as origens de Israel, como o fez Martin Noth com a tese da anfictionia, importada do mundo grego. O que George Mendenhall propôs com o seu artigo foi apresentar um novo modelo ideal em substituição a modelos que não mais se sustentavam, sugerindo uma linha de pesquisa que levasse em conta elementos que até então não tinham sido considerados.

G. Mendenhall começa descrevendo os dois modelos existentes até então para a entrada na terra de Canaã, o da conquista militar e o da infiltração pacífica de seminômades e elenca os três pressupostos presentes em ambos:

· as doze tribos entram na Palestina vindo de outro lugar na época da "conquista"

· as tribos israelitas eram nômades ou seminômades que tomam posse da terra e se sedentarizam

· a solidariedade das doze tribos é do tipo étnico, sendo a relação de parentesco seu traço fundamental, caracterizando-as, inclusive, em contraste com os cananeus.

Ora, continua Mendenhall, o primeiro e o terceiro pressupostos até que podem ser aceitos, mas "a suposição de que os israelitas primitivos eram nômades, entretanto, está inteiramente em contraste com as evidências bíblicas e extra-bíblicas, e é aqui a reconstrução de uma alternativa deve começar"[7].

A seguir, Mendenhall critica a visão romântica do modo de vida dos beduínos, erroneamente vistos como nômades contrastando com os sedentários das cidades, que foi assumida sem criticidade pelos pesquisadores bíblicos e usada como modelo para o Israel primitivo. Mostra que os próprios relatos bíblicos jamais colocam os antepassados de Israel como inteiramente nômades, como, por exemplo, Jacó e Labão, Jacó e os filhos, onde há sempre uma parte do grupo que é sedentária. Igualmente critica a noção de tribo como um modo de organização social próprio de nômades, mostrando que tribos podem ser parte ou estar em relação com povoados e cidades.

Aproximando o conceito de hebreu ao de Hab/piru, e utilizando as cartas de Tell el-Amarna, Mendenhall procura demonstrar que ninguém podia nascer hebreu já que este termo indica uma situação de ruptura de pessoas e/ou grupos com a fortemente estratificada sociedade das cidades cananéias. E conclui: "Não houve uma real conquista da Palestina. O que aconteceu pode ser sumariado, do ponto de vista de um historiador interessado somente nos processos sócio-políticos, como uma revolta camponesa contra a espessa rede de cidades-estado cananéias".

Estes camponeses revoltados contra o domínio das cidades cananéias se organizam e conquistam a Palestina, diz Mendenhall, "porque uma motivação e um movimento religioso criou uma solidariedade entre um grande grupo de unidades sociais preexistentes, tornando-os capazes de desafiar e vencer o complexo mal estruturado de cidades que dominavam a Palestina e a Síria no final da Idade do Bronze"[8]. Esta motivação religiosa é a fé javista que transcende a religião tribal, e que funciona como um poderoso mecanismo de coesão social, muito acima de fatores sociais e políticos... Por isso a tradição da aliança é tão importante na tradição bíblica, pois esta é o símbolo formal através da qual a solidariedade era tornada funcional.

A ênfase na mesma herança tribal, através dos patriarcas, e na identificação de Iahweh com o "deus dos pais", pode ser creditada à teologia dos autores da época da monarquia e do pós-exílio que deram motivações políticas a uma unidade que foi criada pelo fator religioso.

Niels Peter Lemche, por outro lado, critica Mendenhall, por seu uso arbitrário de macro teorias antropológicas, mas especialmente por seu uso eclético destas teorias, coisa que os teóricos da antropologia não aprovariam de modo algum[9]. Segundo Lemche, Mendenhall usa os modelos de Elman Service expostos em sua obra Primitive Social Organization, New York, Random, 19622. Sem dúvida, seu ponto mais crítico é o idealismo que permeia o seu estudo e coloca o "javismo", um javismo não muito bem explicado, mas principalmente só o javismo e nenhuma outra esfera da vida daquele povo, como a causa da unidade solidária que faz surgir Israel.

Alguns anos mais tarde, Norman K. Gottwald publicou seu polêmico livro The Tribes of Yahweh: A Sociology of the Religion of Liberated Israel, 1250-1050 B.C.E., Maryknoll, New York, Orbis Books, 1979, no qual retoma a tese de G. Mendenhall e avança por quase mil páginas em favor de uma revolta camponesa ou processo de retribalização que explicaria as origens de Israel. Mas, em um artigo anterior, de 1975, didaticamente, Gottwald expõe sua tese então em desenvolvimento, e que usarei aqui para sintetizar seus pontos fundamentais[10].

Ele diz que até recentemente a pesquisa sobre o Israel primitivo era dominada por três idéias básicas:

· o pressuposto de mudança social ocorrida no deslocamento de populações, ou seja: um hiato sócio-político em Canaã teria ocorrido como resultado da substituição demográfica ou étnica de um grupo por outro, seja por imigração seja por conquista militar

· o pressuposto da criatividade do povo do deserto em iniciar mudanças sociais em regiões sedentárias, ou seja, Israel teria ocupado a terra como recurso para realizar a passagem do seminomadismo para a sedentarização, resultando numa aculturação sócio-política

· o pressuposto de mudança social produzida por características especiais de um grupo ou por elementos culturais de destaque, ou seja, a partir do momento em que o judaísmo é lido a partir da perspectiva do judaísmo tardio e do cristianismo, o javismo é visto como fonte isolada e agente de mudança na emergência de Israel[11].

As forças e pressões que dobraram e quebraram estes pressupostos são muitos, mas basta citarmos umas poucas para que as coisas comecem a clarear: a evidência etnográfica de que o seminomadismo era apenas uma atividade secundária de populações sedentárias que criavam gado e cultivavam o solo; indicações de que mudanças culturais e sociais são freqüentemente conseqüências do lento crescimento de conflitos sociais dentro de uma determinada população mais do que resultado de incursões de povos vindos de fora; a conclusão de que conflitos ocorrem tanto dentro de sociedades controladas por um regime único como entre estados opostos; a percepção de que a tecnologia e a organização social exercem um impacto muito maior sobre as idéias do que pesquisadores humanistas poderiam admitir; evidências da fundamental unidade cultural de Israel com Canaã em uma vasta gama de assuntos, desde a língua até a formação religiosa...

Os conceitos centrais que emergem deste deslocamento de pressupostos, cada vez maior entre os estudiosos, podem ser sintetizados da seguinte maneira:

· o pressuposto da ocorrência normal de mudança social ocorrida por pressão e conflitos sociais internos, como resultado de novos avanços tecnológicos e de idéias em confronto numa interação volátil

· o pressuposto da função secundária do deserto em precipitar a mudança social, sendo que no Antigo Oriente Médio o seminomadismo era econômica e politicamente subordinado a uma região predominante agrícola e que nunca foi ocasião de deslocamentos maciços de populações ou de conquistas políticas provocadas por estes deslocamentos

· o pressuposto de que mudança social ocorre pela interação de elementos culturais de níveis diversos, especialmente o fato de que os fatores ideológicos não podem ser desligados de indivíduos e grupos vivendo em situações específicas, nas quais determinados contextos tecnológicos e sociais adquirem configurações novas[12].

A partir de tais constatações, Gottwald propõe um modelo social para o Israel primitivo que segue as seguintes linhas: "O Israel primitivo era um agrupamento de povos cananeus rebeldes e dissidentes, que lentamente se ajuntavam e se firmavam caracterizando-se por uma forma anti-estatal de organização social com liderança descentralizada. Esse desligar-se da forma de organização social da cidade-estado tomou a forma de um movimento de 'retribalização' entre agricultores e pastores organizados em famílias ampliadas economicamente auto-suficientes com acesso igual aos recursos básicos. A religião de Israel, que tinha seus fundamentos intelectuais e cultuais na religião do antigo Oriente Médio cananeu, era idiossincrática e mutável, ou seja, um ser divino integrado existia para um integrado e igualitário povo estruturado. Israel tornou-se aquele segmento de Canaã que se separou soberanamente de outro segmento de Canaã envolvendo-se na 'política de base' dos habitantes dos povoados organizados de forma tribal contra uma 'política de elite' das hierarquizadas cidades estados"[13].

Assim, Gottwald vê o tribalismo israelita como uma forma escolhida por pessoas que rejeitaram conscientemente a centralização do poder cananeu e se organizaram em um sistema descentralizado, onde as funções políticas ou eram partilhadas por vários membros do grupo ou assumiam um caráter temporário. O tribalismo israelita foi uma revolução social consciente, uma guerra civil, se quisermos, que dividiu e opôs grupos que previamente viviam organizados em cidades-estado cananéias. E Gottwald termina seu texto dizendo que o modelo da retribalização levanta uma série de questões para posterior pesquisa e reflexão teórica[14].

06/04/2008

Salmos 73 - 77

“Deus é o juiz” (75:7). “Desde os céus fizeste ouvir o teu juízo” (76:8). Afirmações como estas são comuns nas Escrituras, e especialmente nos Salmos. Deus castiga os ímpios e protege e salva os justos. Mas, ele sempre faz isso? Como explicar o sofrimento dos inocentes e a prosperidade dos perversos? Como um homem pode acreditar no poder de Deus quando o templo do Senhor é destruído e queimado por pessoas que adoram outros deuses? Perguntas como “até quando?” e “por quê?” são levadas ao “santuário de Deus” para ajudar cada servo aumentar a sua fé e concluir, junto com os Salmistas: “Bom é estar junto a Deus; no Senhor Deus ponho o meu refúgio, para proclamar todos os seus feitos” (73:28).

Salmo 73 Enfrentando Dúvidas sobre a Justiça de Deus

Este Salmo fala da luta do autor para compreender as injustiças nesta vida. Serve como exemplo bom para nós, para podermos superar as nossas próprias crises espirituais. Devemos prestar atenção e lembrar bem da mensagem deste Salmo.

1- A verdade que Asafe quer defender: Deus é bom para com seu povo fiel

2-14 A luta: A experiência própria contraria sua tese. Ele passou a invejar os perversos por serem prósperos. Eles se dedicam ao pecado (olhos, coração e língua – 7-9) e ainda têm saúde, prosperidade e a lealdade do povo, que lhes segue. Tudo isso quase levou o Salmista à triste conclusão de que não adianta servir a Deus (13-14)

15-17 Mas espere aí! Mesmo na sua fraqueza, ele teve a cautela de não expor as suas dúvidas aos novos e fracos, pois teria se tornado uma pedra de tropeço (15). Ele reconheceu a dificuldade do assunto, e só achou respostas adequadas em Deus (16-17). Obs.: Aprendemos muito desses versículos: (1) Devemos ter cuidado com as nossas dúvidas. Pessoas que falam abertamente sobre as suas dificuldades espirituais na presença de pessoas fracas podem derrubar a fé destas. (2) Devemos ser humildes para aceitar a dificuldade de alguns assuntos, e não confiar demais em nossa própria capacidade de raciocínio. (3) Sempre devemos buscar respostas em Deus. Somente na sabedoria eterna dele achamos a verdadeira justiça.

18-20 Afinal, ele conseguiu acreditar na justiça de Deus, e entendeu que os perversos seriam castigados

21-22 Seus momentos de dúvida eram momentos de fraqueza, ignorância e de pensamentos irracionais diante de Deus

23-26 Mesmo na angústia e no sofrimento desta vida, ele entendeu que Deus não o abandonou. Teve a bênção de comunhão com o Senhor. Obs.: É erro grave e extremamente perigoso pensar que a nossa relação com Deus se reflete na prosperidade ou na saúde. Mesmo quando sofremos nesta vida, podemos ter certeza que Deus não abandona os fiéis.

27-28 Depois de procurar respostas às suas dúvidas, Asafe afirma a sua confiança no Senhor, e defende ainda a tese do versículo 1

Salmo 74 A Tristeza ao Ver o Templo Destruído

Normalmente pensamos de Asafe em relação ao tempo de Davi (veja 1 Crônicas 6:31,32,39; 16:5,7,37; 25:1,6) e de Salomão (2 Crônicas 5:12). Algumas dessas mesmas citações mostram que a família de Asafe continuou no serviço de louvor no templo nas gerações posteriores. Este Salmo fala da destruição do templo, que aconteceu séculos depois de Davi e Salomão. Porém, sabemos que a família de Asafe continuou o seu serviço durante todo esse tempo até, pelo menos, a época de Esdras e Neemias (veja Esdras 2:41; Neemias 7:44). Desta maneira, podemos entender o Salmo 74 como produto de um ou mais dos descendentes de Asafe

1-3 O Salmo começa com uma série de perguntas e pedidos a Deus, procurando entender os motivos dele em permitir o castigo do povo e a destruição do templo
4-9 Os adversários, aqui tratados como inimigos do próprio Deus, destroem as coisas sagradas e se exaltam contra o próprio Senhor (4-8). O povo fica confuso, sem explicação desta devastação (9)

10-11 As perguntas: (a) Até quando...? (10) e Por que...? (11). São perguntas comuns nas Escrituras, mas o Salmista aqui não vai ao ponto de questionar o caráter de Deus, como veremos nos próximos versículos

12-17 Ele reconhece a grandeza de Deus como Criador e Sustentador do universo

18-23 Baseado no caráter de Deus, o salmista pede que aja a favor do seu povo e conforme a sua aliança, respondendo às blasfêmias dos adversários

Salmo 75 Confiança no Deus Justo

1-2 Este é um Salmo de louvor e graças a Deus por ele ser justo

3-5 O Salmista mostra a sua confiança no Senhor, e avisa aos perversos do perigo de se levantar contra Deus

6-8 Ele não confia nos homens e sim, em Deus, quem exalta os fiéis e castiga os ímpios. A figura do cálice de ira é muito comum na Bíblia, aparecendo nos Salmos e nos profetas do Velho Testamento, e em relação ao sofrimento de Cristo no Novo Testamento. Também é usada no livro de Apocalipse para representar o castigo de povos desobedientes

9-10 O Salmista, confiante na justiça de Deus, encerra o Salmo com louvor ao Senhor

Salmo 76 Louvor pelo Triunfo de Deus sobre os Adversários

Não sabemos a circunstância histórica deste Salmo, mas o conteúdo sugere uma ocasião em que Deus salvou Jerusalém de algum inimigo

1-3 Deus é louvado por salvar Salém (Jerusalém) e Sião (o monte do templo em Jerusalém)

4-6 O poderoso Deus confundiu o inimigo e livrou o seu povo das mãos dos adversários

7-12 Deus é tão grande que ninguém pode resisti-lo. Todos devem louvá-lo e temê-lo

Salmo 77 Deus Ouve as Orações dos Fiéis?

1-2 Asafe, na sua angústia, procura o Senhor em oração

3-10 Pensando em Deus, ele fica desesperado. Será que Deus não ouve as suas orações? Será que a graça divina acabou? Deus se preocupa com os homens?

11-20 Quando lembra do passado, Asafe acha conforto e motivos de confiança em Deus. As obras do passado servem de prova que Deus é grande e poderoso. Este Salmista lembra-se das maravilhas feitas por Deus na salvação do povo de Israel. Obs.: Devemos fazer a mesma coisa. Quando achamos difícil enxergar as obras de Deus no presente, acharemos consolo olhando para o passado, e a fidelidade que ele sempre mostrou em cumprir a sua palavra (veja Romanos 15:4)

Perguntas

Responda às seguintes perguntas sobre Salmos 73 - 77.

Salmo 73
1. Qual foi o problema que o autor deste Salmo enfrentou?
2. A nossa própria experiência nesta vida sempre combina com as afirmações da Bíblia sobre a justiça de Deus?
3. É errado questionar a justiça de Deus?
4. Usando o exemplo do autor deste Salmo, devemos pregar as nossas dúvidas sobre Deus?
5. Onde encontraremos respostas para nossas dúvidas?
6. Quando encontramos injustiças nesta vida, devemos nos desanimar e abandonar a Deus?

Salmo 74
7. Qual foi o motivo da tristeza do Salmista?
8. É possível expressar dúvidas sobre o que o Senhor faz sem rejeitar o próprio Deus?
9. Quando o povo de Deus sofre, pessoas tendem a falar mal de quem?

Salmo 75
10. Explique a mensagem dos versículos 6 e 7.
11. O cálice, aqui, representa o que?

Salmo 76
12. Salém e Sião se referem ao que?
13. Quem deve temer e servir a Deus?

Salmo 77
14. Qual foi o motivo do desespero de Asafe?
15. O que trouxe consolo para ele?
16. O que aprendemos do Velho Testamento (conforme Romanos 15:4)?

GILGAL LUGAR DE TRANSFORMAÇAO

Gilgal é lugar de deixar para trás tudo que nos causou vergonha, tristeza, tudo que desmereceu a nossa pessoa, aquilo que realmente somos para Deus.

Em Gilgal, amadurecemos, crescemos, tomamos consciência de que passaremos por lutas, mas venceremos à medida que assumimos uma postura madura de não sermos mais meninos.

Até aquele momento o povo recebia maná direto do céu, o povo não precisava se preocupar com nada, tudo vinha nas suas mãos. Com certeza, era um momento em que o povo, precisava de cuidados especiais, pois tinham saído de escravos para a liberdade. Poderíamos dizer que eram bebê espiritual.

O maná acabou e com isso tornaram-se adultos espirituais. Muitas vezes em nossas vidas, hoje, espiritualmente falando, passamos por Gilgal, temos um tempo em que Deus cuida de tudo, sem precisarmos fazer força para nada, mas estacionamos lá, ficamos por lá. Esquecemos que até esse momento recebíamos maná, mas o tempo continua, o crescimento não pára e com isso temos que mudar de roupas, de mentalidade.

Cessou o maná, fim da infância espiritual. Agora você passará a orar por você mesmo e pelos outros… agora, Deus e você cuidará de você e de outras pessoas… agora, você não será tão visitado, mas visitará os necessitados.


Sem o opróbrio, o povo foi conduzido a Canaã. Deus também quer conduzir você a Canaã, a terra prometida. O maná e o deserto ficaram para trás.

Todo filho de Deus pode e deve querer entrar na terra prometida. Chegar à terra prometida, querer entrar nela é desejo de todo aquele que quer chegar à estatura de varão perfeito. É querer acertar mais do que errar.

Para entrar nessa terra maravilhosa, pode ser agora. Basta querer!!!

Querer primeiramente abandonar o velho estilo de vida - se havia dependências negativas, erradas, temos que começar a sermos interdependentes. Temos que começar a enfrentar nossas lutas, problemas, as injustiças da vida com seus prejuízos, sem o sentimento de autocomiseração, em busca de culpados. Ser maduro é saber buscar ajuda quando não se sabe resolver um problema emocional sozinho.

Veja o que está a acontecer, agora, em Portugal.
· Nome da organização: frente nacional- grupo envolvido-skin- grupo racista.
· Motivo: contra a criminalidade- (arrastão de carcavelos)
· Lema: por um Portugal branco

Deixar o velho estilo de vida significa também abandonar valores e ideais que só levam a violência, vingança e morte. E o pior é que no final disso tudo, nada muda. Só o amor muda, transforma vidas e situações. Isso é comprovado até pela própria ciência.enfrentar uma situação como essa é fazer justiça correta… dialogar…aprender a respeitar o próximo e as diferenças, ser benigno, ou seja, saber tratar e falar da forma correta.os relacionamentos interpessoais só terão sucesso se soubermos viver o amor na terra que Jesus Cristo nos ensinou em pessoa.

Para entrar na terra prometida, aqui na terra, temos que visualizá-la, entrar nela e pisar nos nossos inimigos. (Jos. 1:3-5 – Dt. 28:7-8)
Só é vitorioso na sua vida quem aprende a pisar nos seus inimigos e não deixa com que eles cresçam e dominem sua alma. Pisar nos inimigos é vencer as limitações, enfrentá-las e vencê-las´… é vencer a rejeição, o medo, a insegurança, sentimento de incapacidade, a autocomiseração.

Para entrar nessa terra, temos que circuncidar o prepúcio do coração (Jos. 5:4-8-9)
Receber um novo coração, um coração quebrantado, maleável, humilde.

Em Jeremias 4:3-4-14, diz que precisamos reformular nossos conceitos e valores, promovendo uma faxina na nossa mente de conceitos que atrofiam nossa identidade. É fazer uma aliança de santidade com Deus. Santidade é não pactuar com as paixões da carne, do velho homem, com suas exigências deformadas, amarguradas, ressentimentos, sempre achando que alguém nos deve alguma coisa.

Entrar na terra prometida é entrar numa parceria com o exército dos céus.- Jos. 5:13-15.
Jesus chama de amigos, de parceiros aqueles que entendem seu chamado, o seu papel no reino. O parceiro não precisa de fiscal na sua vida. Ele tem responsabilidade.

Muitas vezes entramos numa igreja e dizemos que a palavra não preencheu nosso coração. Com certeza existem igrejas e igreja. Mas lembre-se que o maná só caia do céu quando o povo estava no deserto. Agora, tudo está liberado para termos a vitória. Não precisamos viver no deserto. Temos sim que fazer o que tem que ser feito, fazer a nossa parte.