04/07/2009
A Igreja e a Implantação do Reino de Deus
Estudos em Mateus 13
Terminamos nossa última aula vendo que a Igreja foi estabelecida por Deus como “posto avançado” do Reino; somos uma comunidade de pessoas que, individualmente, vimos o Reino nascer em nosso interior; agora, coletivamente, estamos vivendo debaixo dos princípios de nosso Senhor – expressando a um mundo doente e separado de Deus o que é viver de acordo com o propósito do Pai.
Veja Mateus 28:18-20. Jesus realizou sua obra completa e perfeita; mas ele confiou a nós, seus discípulos, a tarefa de implantar o Reino. Essa é a tarefa primordial da Igreja, e o que estudaremos a partir de agora.
Se nossa tarefa, como Igreja, está diretamente vinculada ao trabalho de implantação do Reino, devemos saber como realizá-lo. Jesus abordou esse tema longamente, em seu trato com os discípulos. Mateus 13 nos oferece um sumário, bem ao estilo de Mateus, de diversos ensinos, dados em diferentes momentos do ministério de Jesus, mas que têm todos a preocupação com a implantação do Reino como elemento comum.
Vamos olhar para alguns desses ensinos, de forma a procurar extrair deles princípios que nos ajudem nessa tarefa.
I – Começando do começo: o bom semeador prepara o terreno (Mateus 13:3-9; 18-23)
Quero olhar com vocês para esta parábola, tão conhecida, a partir do enfoque do semeador. Vamos procurar analisar essa figura e o seu comportamento. As pessoas devem ter reagido com risos a essa parábola de Jesus, porque simplesmente ninguém semearia seu campo desse jeito maluco.
Quem semeia a mensagem do Reino (v. 19) deve se preocupar com a preparação do terreno.
Como se dá a preparação do terreno? Veja Oséias 10:12. O “campo de pousio” (ou “solo não arado”, como diz a NVI) era o solo deixado em repouso durante um certo tempo, a fim de recuperar-se; a agricultura se valia então desse sistema de rotatividade de solos. Caso isso não fosse feito, a produtividade decresceria até o solo ficar totalmente esgotado.
No entanto, todo solo deixado em repouso ficava coberto de espinhos, mato, ervas daninhas, pedras. Antes de semeá-lo, era preciso limpá-lo. O anúncio do Reino pode ser entendido como aquilo que diz a palavra profética em Oséias, que é chegada a hora de buscar o Senhor, ou seja, de nos aproximarmos dele e pautarmos nossa vida por ele; mas não se trata apenas de semear. Antes, é preciso preparar o terreno. Por isso Oséias diz: “façam sulcos no seu solo não arado”. (Veja também Jeremias 4:3).
Como se prepara o solo do coração humano para a semeadura? Aqui há diversos aspectos importantes. O trabalho de difusão do Reino não é um mero “programa”, um trabalho que possa ser feito mecanicamente, como o espalhar de sementes feito pelo semeador da parábola. São necessários cuidado e envolvimento. O agricultor prepara sua terra, limpando-a e depois arando-a devidamente. Da mesma forma, devemos “preparar” nossos contatos com as pessoas que desejamos ver atingidas pelo Reino.
Essa “preparação” passa primeiro pelos relacionamentos interpessoais. Se vamos semear, não será a torto e a direito; será naqueles que estão mais próximos de nós. A primeira coisa a fazer, portanto, é cultivar bons relacionamentos. Precisamos aprender a ser “gente boa”, aquele amigo que é ouvido quando diz algo ou faz um convite simplesmente porque é “gente boa”. Alguns exemplos: André (João 1:40-42a) e Cornélio (Atos 10:27, 33).
Outro aspecto dessa “preparação” é a oração. Aqui precisamos ser cautelosos. Quando oramos pela conversão de alguém, precisamos saber que nem mesmo Deus pode interferir na liberdade de decisão do ser humano. Se pudesse, Deus já teria feito isso com todos, porque o desejo de Deus é “que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Timóteo 2:4). Mas salvação significa, em seu sentido mais amplo, a realização do propósito de Deus para os seres humanos; e esse propósito, como já vimos, depende do exercício da liberdade de escolha pelo ser humano.
Isso significa que não há nenhum lugar para a oração nesse assunto? De forma alguma; primeiro, porque a oração tem mais a ver conosco, com o mudar a nós mesmos, do que com o “mudar” a Deus. Pela oração, não levamos Deus a se interessar pelas pessoas; ele já se interessa! Pela oração, levamos a nós mesmos a nos interessarmos pelos outros; a oração realça a importância que essas pessoas têm para nós, e ajuda a mudar nossa própria atitude em relação a elas. Talvez por isso Jesus seja tão enfático ao nos aconselhar sobre a oração: “Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem” (Mateus 5:44). Quando oramos por nossos inimigos, eles deixam de sê-lo de fato!
Em segundo lugar, através da oração estabelece-se um “pacto de ação” entre nós e Deus a favor dos outros. Na oração, Deus e nós agimos em favor dos homens. Deus não pode mudar suas vontades, mas trabalha no sentido de que eles recebam a palavra na melhor disposição de espírito possível. Pela oração, garantimos que a palavra chegará a eles no momento certo e cairá em seus corações no instante mais apropriado para que a ouçam e, livremente, decidam-se a crer.
Fica evidente o quanto este trabalho todo de preparação do solo é básico. É a primeira coisa a fazer, quando se trata de trabalhar pela implantação do Reino.
II – Aprendendo a não fazer julgamentos (Mateus 13:24-30; 36-43)
Esta segunda lição, derivamos de duas parábolas contadas por Jesus: a parábola do joio e a parábola das redes (Mateus 13:47-50). Vamos analisar apenas a do joio, uma vez que ambas diferem apenas nos detalhes exteriores, e não no princípio ensinado.
O joio (ou cizânia) tem um princípio venenoso. Parece trigo (alimento), mas é o seu oposto. A parábola aponta para um certo nível de mistura que existe, inevitavelmente, no meio do Reino. Isso não deve nos espantar. No meio do Reino estão também os que não pertencem ao Reino.
No entanto – e aqui reside a lição da parábola – não nos cabe proceder à separação. Devemos aprender a nos julgar, não a julgar os outros. Podemos até ser severos para conosco, se quisermos; para com os outros, a única atitude que Jesus nos autoriza a ter é a da misericórdia. Esse princípio, aliás, é aquele que Jesus enfatiza também em Mateus 7:1-5 (sobre não efetuar julgamentos).
Aqui, no entanto, o princípio relaciona-se com a expansão do Reino. É o que está em vista. Os julgamentos dificultam a implantação do Reino, porque afastamos as pessoas quando nos fazemos juízes delas. Em sua história, a Igreja infelizmente multiplicou exemplos infelizes nessa área. Quantas pessoas já foram afastadas do Reino por conta de julgamentos precipitados feitos pelos irmãos? A Igreja não está isenta daquela acusação feita por Jesus aos escribas do seu tempo: “Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo” (Mateus 23:13).
Qual deve ser a posição dos discípulos que se encontram comprometidos com a implantação do Reino de Deus na terra? Devemos deixar o julgamento para Deus. É inevitável que haja “mistura” no Reino. Se é assim, nenhum de nós pode pretender uma comunidade cristã totalmente “pura”. Existem insinceros, mas nós não sabemos quem são; somente Deus os conhece. [Retomar daqui, 25/9/2008.]
A parábola termina falando sobre a necessária separação, que ocorrerá somente “no fim”. Os temas escatológicos, é bom que nos lembremos, não nos dizem respeito; dizem respeito somente ao Pai (veja Atos 1:6-8). O que nos diz respeito é a implantação do Reino. Nesse sentido, há algo muito importante “nas entrelinhas” da parábola: ao invés de ficarmos esfregando as mãos, “esperando pelo juízo” que arrancará o joio de uma vez por todas do nosso meio (!!), devemos compreender que, enquanto estivermos neste tempo de estabelecimento do Reino, todo joio pode tornar-se trigo! Não há um “determinismo” aqui, como se alguns “fossem joio” e não houvesse remédio. Em alguma medida, todos nós já fomos joio! Uma das grandes ênfases do evangelho é justamente o fato de que a mensagem do Reino é uma mensagem transformadora do ser humano!
[Isto não significa que não exista lugar para a chamada “disciplina da Igreja”. Esse lugar existe. Não podemos discutir este assunto no momento; contudo, não podemos negar que a prática da disciplina na Igreja tem sido conduzida em muitos lugares de forma abusiva. Devemos nos lembrar que a disciplina tem por objetivo produzir arrependimento e restauração; “disciplina” e “discípulo” são palavras que apresentam a mesma raiz. “Disciplinar” não deveria ser sinônimo de “afastar”; ao contrário, deveria traduzir a atitude daquele que traz a pessoa “disciplinada” ainda para mais perto, tornando-a de fato aluna (que é o sentido da palavra latina discipulus)].
III – Aprendendo a ter paciência (Mateus 13:33)
Vamos considerar a parábola do fermento. Ela desenvolve o mesmo princípio que aparece, também, na parábola do grão de mostarda. Diferentemente de outras passagens bíblicas, aqui o fermento tem uma conotação positiva (isto é algo que só percebemos pelo contexto).
A lição que a parábola do fermento nos transmite é simples: a transformação do ser humano começa sempre pelo interior e, por conta disso, ela é sempre imperceptível em seu início. Ninguém vê o fermento lançado na massa; ele desaparece. O que vemos – somente depois – são seus resultados.
Precisamos aprender a valorizar essa mudança interior. Mesmo quando não vemos nada, devemos acreditar que a mudança começou naqueles que foram expostos à boa notícia do Reino e responderam positivamente a ela. Daí a necessidade de não termos pressa, de sermos pacientes, de aprendermos a esperar, de compreendermos o tempo de que a graça de Deus precisa em cada um de nós. Somos indivíduos, somos diferentes uns dos outros; Deus não trabalha em série conosco. Não há um controle absoluto de qualidade que determine o tempo de transformação de cada um de nós.
Mas não é essa geralmente, a atitude da Igreja. Os evangélicos, sobretudo, acostumaram-se à padronização. Todos precisam falar de forma igual, gostar das mesmas coisas, adotar os mesmos procedimentos. Quando o sujeito se converte, os demais são tolerantes por um ou dois meses; depois, começam a “cobrar”.
É mais fácil procurar enquadrar todo mundo dentro do mesmo “padrão”. Isso “poupa tempo”, mas diminui a graciosidade do evangelho. O caminho do evangelho é o da amizade, do amor pelo outro que o acompanha ao longo de sua caminhada como cristão; disposto a instruir, a ensinar, a “discipular”. Mas disposto também a esperar o tempo que for necessário, até que a mudança interior se evidencie em todas as dimensões da vida. Precisamos de um sensível equilíbrio entre esses dois elementos (ênfase no ensino, disposição para isso; e paciência para aguardar).
IV – Compreendendo o valor do Reino (Mateus 13:44-46)
Jesus nos ensina esta lição através de duas parábolas, a do tesouro oculto no campo e a da pérola de grande valor. Como nos demais casos, vamos nos ater a uma delas: a parábola do tesouro oculto.
Ambas as parábolas possuem uma palavra-chave: tudo (Mateus 13:44, 46). O que isso significa? Que o Reino tem um caráter radical: ele pede tudo de nós!
Precisamos compreender adequadamente a tensão que existe entre, de um lado, o caráter gracioso do evangelho e, de outro, seu caráter custoso. Como algo pode ser de graça e ao mesmo tempo custoso? –Dietrich Bonhoeffer, teólogo luterano alemão, falava em graça barata e graça preciosa. A “graça barata”, para ele, é a negação do evangelho; nas palavras de Bonhoeffer, é “a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, / é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. / A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado” .
Ao contrário da “graça barata”, a graça do evangelho é gratuita e ao mesmo tempo custosa. Pense numa peça que me é vendida por um preço muito inferior ao seu real valor; no entanto, esse preço é tal que custa tudo o que eu tenho. A graça do evangelho é assim: seu valor é altíssimo; ela me é oferecida em troca de tudo o que eu sou. O preço é caro para mim, mas é “de graça” em relação ao valor do que me é oferecido!
Para fins da implantação do Reino, é muito importante ter clara essa noção do seu valor. Na parábola, o homem que encontra o tesouro vende tudo o que tem com alegria. Por quê? Porque ele reconhece que o tesouro encontrado vale mais do que tudo quanto ele possui.
Por vezes nos empolgamos tanto com o caráter radical do Reino, o “tudo” que ele exige, que nos concentramos apenas nesse fato. Algumas pessoas são, na verdade, mais “enérgicas”, e gostam desse tipo de apresentação do evangelho. No entanto, a sabedoria mais prosaica do mundo das vendas nos ensina que nenhum bom vendedor começa falando sobre o preço do produto. Primeiro ele apresenta o valor, os méritos do produto; depois fala do quanto o produto custa.
Nossas vidas precisam ser exemplos vivos do valor do Reino de Deus. Se for assim, os outros é que nos perguntarão o “preço” – o “como viver do jeito que vivemos”. Aí, uma vez que eles viram o tesouro e estão maravilhados com o seu valor, poderemos falar a eles do preço: poderemos dizer que, de fato, o Reino custa tudo; custa toda a minha vida entregue ao Senhor. Mas, diante do valor, esse tudo é de graça!
Esses princípios devem nos estimular a uma apresentação mais simpática do evangelho. Devemos nos lembrar constantemente de que não pregamos com palavras, mas com atitudes, com a totalidade do nosso jeito de ser. Se muitos não nos dão ouvidos, é justamente porque há discordância entre o que dizemos e o que somos.
Vamos aprender a depender da graça de Deus – essa mesma graça que age em nós e realiza tudo para a glória do Pai – para que nos tornemos, como pessoas, individualmente capacitados e comprometidos com a implantação do Reino. E que, como Igreja, deixemos de nos preocupar com coisas insignificantes para nos concentrarmos nessa que é a nossa responsabilidade mais central.
A História da Igreja
Leitura Bíblica: Ap 1:8-11
I. OS SETE CANDEEIROS DE OURO:
A. O mistério de Deus é Cristo (Cl 2:2). Ele mesmo O revelou (Mt 16:17). O mistério de Cristo é a Igreja (Ef 3:4). O mistério do reino dos céus é a igreja. Isso também foi revelado na ocasião em que Cristo revelou Seu mistério, a igreja (Mt 16:19). A igreja tem a chave do reino dos céus. Portanto, para conhecer o reino é preciso conhecer a igreja. Se usarmos as chaves do reino dos céus, veremos que a igreja é a realidade do reino dos céus.
B. As sete parábolas em Mateus 13 apresentam os mistérios do reino dos céus. Tais parábolas também se relacionam com as cartas às sete igrejas em Apocalipse 2 e 3. Em Ap 1:11-12 há sete candeeiros de ouro, os quais representam sete igrejas. Cada cidade tem apenas um candeeiro, ou seja, cada cidade tem apenas uma igreja (Ap 1:20). A seguir, são escritas sete cartas, às igrejas em Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Essas cartas são muito significativas, pois até mesmo os nomes das cidades descrevem os mistérios do reino dos céus. A composição dessas cartas nos apresenta a história da igreja.
II. A IGREJA EM ÉFESO:
A. A primeira carta apresenta o primeiro mistério, com respeito à igreja em Éfeso (Ap 2:1-7). O primeiro mistério é a parábola do semeador (Mt 13:3-9). Vemos ali quatro situações em que a semente da vida pode encontrar: à beira do caminho, entre os espinhos, em solo rochoso e em boa terra. Quando Paulo ajudava os irmãos em Éfeso, eles não recebiam a vida na Palavra. Era como se a Semente caísse à beira do caminho, pois a esfera era anímica (1 Tm 1:3-4). Haviam também muitas opiniões, até mesmo dissensões, o que mostra que os irmão tinham muitas pedras no interior. Mesmo aqueles que recebiam a Palavra, eram sufocados (2 Tm 1:6). Isso mostra que havia muita ansiedade (1 Tm 5:13). Outro problema era a fascinação das riquezas (1 Tm 6:9). Paulo já havia advertido os presbíteros de Éfeso que é mais bem aventurado dar do que receber (At 20:35). Isso indica que tinham esse problema, esperavam primeiramente receber. Por todas essas situações, não podiam dar frutos de vida.
B. Por fim, quando João foi para Éfeso, eles alcançaram a quarta situação descrita em Mateus 13, a de boa terra. Entre eles, João não falou das muitas revelações recebidas em Apocalipse. Ele os levou ao Espírito, falou de invocar o nome do Senhor (Jo 1:12). Esse é o melhor caminho para conduzir as pessoas ao Espírito. Ele também os ajudou a tomar a Palavra com oração (Jo 1:1; 1 Jo 1:1-2; Ef 6:17-18). Por meio de tocar no Espírito, se tornaram uma boa terra e passaram a frutificar (3 Jo 1:7). A palavra Éfeso quer dizer ‘desejável’, e a igreja em Éfeso se tornou a igreja que Deus desejava, frutificando a trinta, sessenta e cem por um. Essa igreja refere-se à igreja no período dos apóstolos, durante o primeiro século.
III. A IGREJA EM ESMIRNA:
A. A igreja em Esmirna descreve a igreja no período entre o final do primeiro século e o início do quarto século (Ap 2:8-11). Esmirna quer dizer ‘mirra’, algo amargo, e indica os muitos sofrimentos advindos da perseguição do Império Romano nesse período. Essa igreja também se relaciona ao segundo mistério do reino, a parábola do joio e do trigo (Ap 13:24-30). Eles eram a continuação da situação positiva alcançada por Éfeso. Por invocar o nome do Senhor e tomar a Palavra com oração, eles estavam no Espírito, tinham vida, eram firmes e podiam suportar as provações.
B. Os ‘dez dias de tribulação’ indicam dez períodos de grande perseguição. Os irmãos de Esmirna no entanto não desanimaram. Foram fiéis até a morte. Essa fidelidade é prefigurada por Antipas, que foi morto (Ap 2:13). Isto é, mesmo em face da morte, aqueles irmãos não deixaram de invocar o nome do Senhor. Eles sofriam por causa do joio, havia pouco espaço, mas os irmãos invocavam o nome do Senhor e cresciam, mesmo sob pressão.
IV. PÉRGAMO E TIATIRA:
A. Quando os irmãos fiéis foram mortos, não se invocava mais o nome do Senhor. Isso indica o período representado pela igreja em Pérgamo. Pérgamo significa ‘torre edificada’ ou ‘casamento’. Indicando a mudança ocorrida no meio do quarto século, quando muitos falsos cristãos entraram na igreja. O Império Romano deixou de perseguir os cristão, e em lugar disso, ofereceu-lhes vantagens materiais. Por isso a igreja se casou com o mundo. Por isso, o pequeno grão de mostarda chegou a ser uma grande árvore, onde havia espaço para Satanás. Isso se refere ao terceiro mistério do reino (Mt 13:31-32).
B. O resultado desse processo foi a igreja em Tiatira (Ap 2:18-29). Essa igreja está relacionada ao quarto mistério, a parábola do fermento (Mt 13:33). Por isso o Senhor disse aos discípulos para acautelarem-se do fermento dos escribas e saduceus, isto é, de seu ensinamento (Mt 6:6, 11-12). A Palavra de Deus é a verdade. Quando a recebemos, devemos praticar o que ouvimos, senão, a Palavra se torna apenas uma doutrina. Um ensinamento, no máximo, torna-se uma regra. Tiatira tem uma mulher, Jezabel, que introduz ensinamentos diferentes. Esse fermento foi introduzido no início da formação da Igreja Católica Romana, com o fim de adequar a igreja aos interesses do Império. Por fim, a religião romana se tornou mais poderosa que a política romana, que a gerou. Por fim, o sistema papal substituiu a autoridade imperial e dominou o território romano.
C. Jezabel introduziu fermento em três medidas de farinha (Mt 13:33). O número três refere-se ao Deus Triúno. Então, em Tiatira existem coisas diferentes, que não são Deus. Éfeso, em sua fase final, e Esmirna tinham o nome do Senhor e a Palavra. Em Pérgamo, foram introduzidas as coisas do mundo. Em Tiatira, por fim, outra pessoa ensina no lugar do Senhor, outra pessoa é reconhecida em uma posição muito elevada. Em Tiatira há também outro nome que é mais falado e invocado que o nome de Jesus. O período de maior influência da Igreja Católica foi entre os século V e XV, quando muitos países estavam sob a autoridade.
V. A IGREJA EM SARDES:
A. A influência de Tiatira começou a decair na época de Martinho Lutero. Lutero era clérigo católico e, tendo acesso à Bíblia percebeu uma série de erros na prática católica. Quando alguns cristãos tentavam tornar a pública a Bíblia, alguns monarcas aproveitaram o momento para tornarem-se independentes. O resultado foi a formação de diversas igrejas estatais, como a igreja anglicana e a igreja Luterana. Esse período é prefigurado pela igreja em Sardes, e também se relaciona ao quinto mistério do reino (Ap 3:1-6; Mt 13:44). O tesouro escondido no campo é o reino. Isso indica que a palavra do reino foi encontrada, mas permaneceu escondida.
B. A igreja é a realidade do reino dos céus, e, sendo edificada com ouro, prata e pedras preciosas, se tornará a manifestação do reino (1 Co 3:12-13). Se o reino não for praticado, a igreja permanece na esfera do conhecimento, e não há vida. Por isso Sardes tem nome de que vive, mas está morto (Ap 3:1).
VI. A IGREJA EM FILADÉLFIA:
A. Por outro lado, o sexto mistério, a parábola da pérola nos mostra que o reino é pratico (Mt 13:45-46). Quando alguém paga o preço para entrar em Cristo, desfrutar plenamente Suas riquezas e praticar o reino, está em Filadélfia. Por um lado a pérola indica Cristo. Ele sofreu por nós, nos recebeu. Ele tem nos protegido. Seu objetivo é nos envolver com Sua vida. Por outro lado, a pérola somos nós. Éramos um grão de areia, mas à medida que permanecemos em Cristo, somos envolvidos por Cristo e transformados. Essa pérola tem grande valor: Cristo e a Igreja.
VII. A IGREJA EM LAODICÉIA:
A. Por fim, a parábola da rede se relaciona com a igreja em Laodicéia (Mt 13:47-48; Ap 3:14-22). Laodicéia julga entender tudo. A rede está cheia, mas não há peixes. A igreja sente-se abastada, mas é infeliz e miserável. Laodicéia conhece muitas verdades, mas não é capaz de praticá-las.
B. Devemos estar atentos, pois essas palavras, por um lado, indicam a história da igreja. Por outro lado, indicam uma série de situações em que podemos nos encontrar. As últimas quatro igrejas permanecerão até a volta do Senhor (Ap 2:25; 3:3, 11, 20). Precisamos perceber qual é nossa condição e buscar viver em Filadélfia, a igreja do amor fraternal. A maneira de viver em Filadélfia é não negar o nome do Senhor e praticar Sua palavra: invocar o nome do Senhor e tomar a palavra com oração. A maneira de não cair na situação de Laodicéia é permanecer no espírito. Essa é a maneira de guardar nossa coroa.
C. O Senhor provará com fogo a obra de cada um (1 Co 3:13). Apenas a igreja em Filadélfia passará por esse julgamento, pois passa pelo fogo hoje. Aqueles que estão em Laodicéia ainda podem se arrpender e voltar-se ao Senhor, voltar a viver no Espírito.
A Promessas dos Santos
“Sede benditos do Senhor, que fez os céus e a terra. Os céus são os céus do Senhor; mas a terra, deu ele aos filhos dos homens” (Salmo 115:15, 16).
Deus criou a terra para que fosse sempre a morada do homem. Nunca foi propósito divino que o céu um dia fosse a hatitação do ser humano. Conforme o texto acima citado, o céu pertence ao Eterno Criador, porem a terra Ele deu aos homens.
O homem foi colocado como Rei sobre toda a criação do Altíssimo (Gênesis 1:26-28), no entanto o homem, por causa da desobediência, perdeu todo o domínio que possuía entregando-o ao diabo.”(Lucas 4:6)”.
Mas o Criador providenciou um meio para que o homem outra vez pudesse possuir o Reino e o domínio que havia perdido. O salmista Davi orou ao Pai pedindo que o homem viesse a ter domínio outra vez sobre as demais criaturas “. (Salmo 8:6-8)”.
Por intermédio do perfeito sacrifício do Senhor Jesus Cristo o Messias, o homem voltará a possuir o domínio da qual ele perdeu no Éden! O homem perdeu o domínio do planeta terra, portanto isto hoje constitui a sua herança.
A grande maioria hoje vive uma falsa expectativa de que o justo é quem será levado quando Jesus voltar.
A verdade é que muito em breve, por ocasião da segunda vinda de Cristo, o Pai estabelecerá na terra um governo perfeito. Tendo em vista que o Trono de Jesus é na terra, os justos aqui ficarão e se assentarão com Ele em seu trono para governar as nações.
A expectativa de o homem ir um dia morar no céu, certamente não teve suas origens nas promessas de Deus. Pelo contrário, houve alguém que ambicionou”subir ao céu” e “exaltar o seu trono acima das estrelas de Deus” (Isaias 14:13).
De acordo com a palavra da profecia este alguém foi o diabo, que ambicionou o Trono de Deus. Portanto não é de se admirar que este tenha injetado na mente dos seres humanos esta crença que acabou se transformando em uma obsessão, ou seja, querer assentar no trono de Deus no céu.
Devemos estar satisfeitos com o que o Pai dos espíritos nos prometeu como herança. Não pode haver maior recompensa para o homem, que tomar posse do domínio que possuía antes do pecado. Se o homem realmente entendesse o que significa ser herdeiro da terra, jamais ficaria tão obcecado com essa idéia de querer ir morar no céu, mesmo porque isto não faz parte dos planos e promessas que o Criador prometeu ao homem. Certamente o que Ele prometeu para o homem é o melhor.
Vejamos os planos, e as promessas de Deus para o homem!
1º Deus não deu o Céu para os homens: “. Os céus são os céus do SENHOR; mas a terra a deu aos filhos dos homens. (Salmo 115:16)”.
2º O céu é o trono de Deus: “O céu é o meu trono, E a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, Ou qual é o lugar do meu repouso?”( Atos 7:49).
3º Aqui habitarão os que esperam no Senhor: “Porque os malfeitores serão desarraigados; mas aqueles que esperam no SENHOR herdarão a terra”.(Salmo 37:9).
4º Os justos herdarão a terra: “Os justos herdarão a terra e habitarão nela para sempre”.(Salmo 37:29).
5º Jesus e Davi disseram que os mansos herdarão a Terra: “.Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;(Mateus 5:5)”. Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz.”(Salmo 37:11)”.
6º Os remidos por Cristo aqui reinarão: “E para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra”.(Apocalipse 5:10).
7º Na terra habitarão os eleitos do Senhor: “E produzirei descendência a Jacó, e a Judá um herdeiro que possua os meus montes; e os meus eleitos herdarão a terra e os meus servos habitarão ali.”(Isaias 65:9).
8º Os justos e sinceros não serão removidos daqui: “Porque os retos habitarão a terra, e os íntegros permanecerão nela. Mas os ímpios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão dela exterminados. (Provérbios 2:21,22).” Porque os malfeitores serão desarraigados; mas aqueles que esperam no SENHOR herdarão a terra. (Salmos 37:9).
9º A terra é o limite do homem:” e de um só fez todas as raças dos homens, para habitarem sobre toda a face da terra, determinando-lhes os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação;( Atos 17:26).
10º O homem é da terra: “Para fazer justiça ao órfão e ao oprimido, a fim de que o homem da terra não prossiga mais em usar da violência. (Salmos 10:18)
11º Jesus disse que ninguém poderia segui-lo para o céu: a) Nem os judeus incrédulos: Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda um pouco de tempo estou convosco, e depois vou para aquele que me enviou. Vós me buscareis, e não me achareis; e onde eu estou, vós não podeis vir. (João 7:33, 34). Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Eu retiro-me, e buscar-me-eis, e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, não podeis vós vir. Diziam, pois, os judeus: Porventura quererá matar-se a si mesmo, pois diz: Para onde eu vou não podeis vir? E dizia-lhes: Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. (João 8:21-23).b)Nem Seus próprios discípulos: “Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco”. Vós me buscareis, mas, como tenho dito aos judeus: Para onde eu vou não podeis vós ir; eu vo-lo digo. (João 13:33).
12º Jesus ensinou que o reino vem: “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; (Mateus 6:9, 10)”.
13º Jesus nos prometeu lugar no trono dEle:” Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.” (Apocalipse 3:21). Nota: Hoje Jesus está no trono do Pai e não no dEle!
14º O Reino de Jesus será aqui na terra: “Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniqüidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes”.(Mateus 13:41, 42). Nota: Onde estão os causadores de escândalos e o que cometem iniqüidade atualmente? Eles estão poluindo o Reino, pois são Joio. Eles serão removidos do Reino de Jesus, a terra!
15º O Trono de Davi, em Jerusalém, será de Jesus: “E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim”. (Lucas 1:31-33) “Homens irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura”. Sendo, pois, ele profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para o assentar sobre o seu trono, (Atos 2:29, 30).
16º Jesus vai ocupar este trono quando voltar: “E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; (Mateus 25:31).
17º Os ímpios é que serão tirado daqui: “Mas os ímpios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão dela exterminados”. (Provérbios 2:22). Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. (Mateus 13:40). Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniqüidade. (Mateus 13:41).
18º Se aqui será o Reino, aqui está o trono de Jesus: “E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino o único, que não será destruído”. (Daniel 7:14).
19º O Reino é debaixo dos céus;portanto na Terra:” E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão. (Daniel 7:27).
20º Somos trigo ou filhos do reino e aqui ficaremos:” O campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno; (Mateus 13:38).” Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro. (Mateus 13:30).
21º O ímpio é joio e ele é que sairá daqui: “Ele, porém, respondendo, disse: Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada. (Mateus 15:13)”.
22º Jesus vem para ficar aqui: ” Estavas vendo isto, quando uma pedra foi cortada, sem auxílio de mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou.” (Daniel 2:34).” Então foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como pragana das eiras do estio, e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles; mas a pedra, que feriu a estátua, se tornou grande monte, e encheu toda a terra.” (Daniel 2:35).”Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre, (Daniel 2:44) A pedra volta para o Céu? Não. Antes se torna um grande monte (reino) e enche toda a Terra. É o Reino Milenar Messiânico! Este reino não passa mais aos homens, mas somente ao Pai.” Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos. (I Corintios 15:24-28).
23º As moradas de João 14 vem para cá:” E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo. (Apocalipse 21:2,3).
Ninguém vai ao Céu para morar na nova Jerusalém, Ela descerá depois do Milênio e então será habitada pelos santos!
03/01/2009
Lições da vida de Gideão
Depois da morte de Josué, o povo de Israel passou por mais de três séculos nos quais "não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto" (Juízes 17:6; 21:25). Durante esse período, se repetia várias vezes o mesmo ciclo: O povo obedecia a Deus por algum tempo e, depois, afastou-se dele. Como alerta ao povo rebelde, Deus permitia que um inimigo o oprimisse. Quando o povo se arrependia e pedia libertação, Deus mandava juízes para livrá-lo das mãos dos inimigos.‘ O povo resgatado servia ao Senhor durante o resto daquela geração, assim começando, de novo, o ciclo. Gideão foi o quinto dos juízes ou libertadores, apresentado em Juízes, capítulos 6, 7 e 8. Da vida dele, podemos aproveitar muitas lições valiosas.
Homem valente ou homem tímido?
Os midianitas oprimiram os israelitas por sete anos. Eles subiam cada ano e tomavam os produtos alimentícios dos campos e todos os animais dos hebreus. Para sobreviver, os israelitas escondiam alimentos do inimigo. Gideão estava preparando comida para escondê-la quando o Anjo do Senhor apareceu. Imagine este homem, trabalhando com medo do inimigo, quando ele ouviu as palavras do Anjo: "O Senhor é contigo, homem valente" (Juízes 6:12). Pela resposta de Gideão, parece que ele nem pensou no significado da frase "homem valente". Ele entrou diretamente numa discussão com o anjo sobre a presença de Deus. Ele não entendeu como Deus, estando com o povo, deixaria Israel sofrer. Deus continuou a conversa, desafiando Gideão a resolver o problema. Já que ele duvidou da presença de Deus, devia ir na sua própria força (Juízes 6:14). Isso não! Gideão, agora, sentiu tão incapaz que procurou uma saída da missão dada por Deus. Ele explicou que era uma pessoa pequena de uma família insignificante de uma tribo pouco importante. Gideão não veio ao Senhor como homem valente. Deus ia fazer dele um líder corajoso.
A força verdadeira do servo do Senhor não vem de si mesmo, e sim de Deus. Ninguém é forte o bastante para resolver seus próprios problemas sozinho, especialmente quando falamos sobre nosso problema principal: o pecado. Dependemos de Deus e de sua graça (Efésios 2:8-9). Paulo disse: "tudo posso naquele que me fortalece" (Filipenses 4:13). Os homens valentes, hoje em dia, são aqueles que confiam no Senhor.
"Eu estou contigo"
Nas conversas com Gideão, Deus afirmou sua presença repetidas vezes. Primeiro, ele afirmou por palavras: "Já que eu estou contigo, ferirás os midianitas como se fossem um só homem" (Juízes 6:16). Segundo, ele afirmou por sinais. Antes da primeira missão de Gideão, Deus lhe deu um sinal impressionante. O Anjo do Senhor causou subir fogo para consumir a oferta de Gideão. Enquanto pessoas faziam ofertas ao Senhor todos os dias, era muito raro o próprio Senhor mandar o fogo para as consumir. Antes de sua segunda missão, Gideão recebeu mais três sinais. Deus deixou o orvalho molhar uma porção de lã sem molhar a terra em volta dela (Juízes 6:36-38). Na noite seguinte, ele fez ao contrário, deixando a lã seca no meio de terra molhada (Juízes 6:39-40). Nas vésperas da batalha, Deus permitiu que Gideão ouvisse uma conversa entre dois soldados midianitas, confirmando a sua vitória iminente (Juízes 7:9-15). Terceiro, Deus afirmou sua presença através de promessas cumpridas, principalmente no livramento do povo pela mão de Gideão (Juízes 6:16; 7:7,22; 8:10-12). As demonstrações de Deus foram convincentes. Gideão foi convertido!
A maior bênção imaginável é a presença do Senhor em nossas vidas. Quando Jesus veio ao mundo para habitar ou fazer seu tabernáculo entre os homens (João 1:14), foi lhe dado o nome Emanuel, "Deus conosco" (Mateus 1:23). No final da sua missão terrestre, ele foi preparar um lugar para nós na presença de Deus (João 14:1-4). Ele prometeu fazer morada naqueles que o amam (João 14:23).
A missão começa em casa
Uma vez que Deus chamou a atenção de Gideão, ele lhe deu a sua primeira missão: destruir os ídolos do próprio pai e fazer um altar ao Senhor no mesmo lugar (Juízes 6:25-26). Gideão levou dez homens consigo e cumpriu o mandamento do Senhor na mesma noite. Os vizinhos ficaram irados, mas o pai de Gideão entendeu o significado de seu ato e o defendeu. Um "deus" que não consegue se defender contra um punhado de homens não merece defesa pelos homens. Parece que Joás, pai de Gideão, foi o segundo convertido nessa história.
A nossa missão, como a de Gideão, começa em casa. Tanto no Velho como no Novo Testamento, Deus destaca as nossas responsabilidades em relação à própria família. Filhos devem obedecer e honrar aos pais (Efésios 6:1-3). Maridos e esposas devem amar um ao outro (Efésios 5:25; 1 Pedro 3:7; Tito 2:4-5). Pais devem instruir os filhos, criando-os na disciplina e admoestação do Senhor (Deuteronômio 6:6-7; Efésios 6:4). Um dos alvos de cada servo de Deus é de influenciar sua família para servir ao Senhor (Josué 24:15).
Deus dá a vitória
Chegou o dia da grande batalha (Juízes 7). Gideão conduziu seu exército de 32.000 israelitas para o campo de conflito contra 135.000 midianitas. Sua desvantagem militar era de 4 contra 1! Deus não deixou Gideão entrar na batalha com este número de soldados. Em duas etapas, ele diminuiu a força militar de Israel. Primeiro, 22.000 voltaram para casa, e os midianitas ficaram com uma vantagem de 13,5 contra 1. Na segunda etapa, Deus mandou embora mais 9.700 israelitas, deixando Gideão com apenas 300 soldados. Para vencer o inimigo, cada soldado israelita teria que vencer 450 do inimigo!
Deus, na sua perfeita sabedoria, tinha um propósito bem definido nesta redução das forças militares de Israel. Ele mandou seu exército à batalha com uma desvantagem tão grande que ninguém poderia dizer: "A minha própria mão me livrou" (Juízes 7:2). Usando uma estratégia que não fez nenhum sentido, em termos militares, a pequena banda de israelitas venceu o exército dos midianitas.
Até hoje, muitas pessoas não aprenderam esta lição. Confiam em números, achando que grandes multidões são evidência da aprovação de Deus. Dependem de estratégias e táticas humanas e carnais para alcançar alvos de crescimento de igrejas. E, no fim, se gabam em seus relatórios, destacando os grandes feitos de homens. Muitos missionários e outros líderes religiosos, como os midianitas, confiam nos grandes números e nas táticas humanas (igrejas promovendo atividades não espirituais para aumentar sua freqüência, ensinando mensagens diluídas que parecem mais relevantes aos seus ouvintes carnais do que a mensagem da cruz, destacando edifícios impressionantes para atrair pessoas que não aceitariam a chamada simples de um Salvador humilde, etc.)
Mas, os verdadeiros servos de Deus não desviarão para tais caminhos errados. "Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!" (Jeremias 17:5). "Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo" (Gálatas 6:14). "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Romanos 8:31).
Rejeição daqueles que ficaram em cima do muro
Gideão e sua banda de homens cansados perseguiram os midianitas (leia Juízes 8:1-21). Quando os soldados israelitas passaram nas cidades de Sucote e Penuel, eles pediram pão. Os homens dessas cidades não mostraram coragem para tomar uma atitude durante a batalha. Com medo de ofender os reis dos midianitas, eles recusaram ficar em pé com os homens de Deus. Só depois da batalha, quando baixar a poeira, apoiariam os servos do Senhor.
A decisão desses homens mostrou uma preocupação política ao invés de convicção espiritual. Pensaram mais na influência de homens importantes do que na palavra do Senhor. Gideão não aceitou tal postura. Ele voltou às mesmas cidades e castigou os covardes que recusaram apoiar os servos do Senhor na hora da batalha.
Gerações antes, Josué chamou o povo para tomar uma decisão para Deus e contra os falsos deuses (Josué 24:14-16). Séculos depois, Elias desafiou o povo indeciso com estas palavras: "Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o. Porém, o povo nada lhe respondeu" (1 Reis 18:21).
Hoje, muitas pessoas religiosas que alegam ser discípulos de Cristo demonstram a mesma covardia. Definem suas posições doutrinárias e práticas pelo vento de opiniões. Entendem mais de IBOPE do que de fé, mais de tradição do que de verdade, e mais de partidos do que de convicções. Paulo mostrou que o cristão deve sempre definir a sua posição pela palavra de Deus, e não pela opinião da maioria: "Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo" (Gálatas 1:10).
Bons homens tropeçam
Apesar de sua ilustre carreira militar, Gideão não era perfeito. O povo lhe agradeceu com um presente: argolas de ouro do despojo da batalha. Gideão usou o ouro para fazer uma estola sacerdotal que ele colocou na cidade dele. Não sabemos a intenção dele, mas os resultados são evidentes. O povo usou aquela estola como um tipo de ídolo, e logo iniciou o próximo ciclo de apostasia. Leia o relato em Juízes 8:22-35.
Devemos aprender desse erro. Às vezes, bons homens nos ajudam a sair da confusão religiosa, como Gideão ajudou os israelitas a saírem da idolatria. Esses homens podem nos ajudar em muitos sentidos, mostrando como respeitar a palavra de Deus em tudo que fazemos. Mas, eles ainda são homens. Da mesma forma que Gideão tomou o primeiro passo de volta à idolatria, bons homens hoje podem tropeçar e conduzir outros, de volta, à confusão religiosa. É uma ironia triste que, ao longo da História, muitos movimentos religiosos que começaram com tentativas de sair dos sistemas errados de denominações humanas resultaram na criação de novas denominações, com suas próprias tradições e falhas humanas. O fato que alguém nos ajudou no passado não garante que sempre nos conduzirá no caminho de Deus. Paulo mostrou que bons exemplos ajudam somente quando seguem a Cristo (1 Coríntios 11:1), e disse: "Julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal" (1 Tessalonicenses 5:21-22).
Conclusão: a grandeza de Gideão
Gideão será lembrado eternamente como exemplo de fé (veja Hebreus 11:32). A grandeza desse homem não se encontra na sua força física, nem na sua inteligência, nem na sua auto-confiança. A Bíblia não comenta sobre sua aparência física nem sobre seu jeito de falar. Gideão se destacou na História, não por ser um grande homem, mas por ter um grande Deus. Deus é capaz de transformar os fracos, os tímidos e os abatidos para dar grandes vitórias ao seu povo. Como Gideão disse: "O Senhor vos dominará" (Juízes 8:23).
A mulher de Ló
A mulher de Ló
A misericórdia exercida no projeto errado
Texto Bíblico: Gênesis 19.12-26.
Sodoma e Gomorra impressionam os leitores do Antigo Testamento. Duas cidades irmãs conseguiram entrar no rol da fama devido ao peso de iniqüidade em todas as suas práticas. Eram cidades más. Tão más que não mereciam sobreviver.
Deus enviou seus anjos para comunicar a Abraão sobre a destruição das cidades. Abraão intercedeu por elas até ter certeza de que, se houvesse pelo menos dez justos, elas não seriam destruídas (Gn 18.32). Mas não adiantou. O fogo queimou as cidades!
Este dramático relato bíblico é muito desconfortável. Passa a idéia de que Deus não é misericordioso. Não combina de jeito algum com Ez 18.23, que diz: “Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? Diz o Senhor Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva?”. Nenhum profeta fora enviado a Sodoma e Gomorra para lhes anunciar possibilidade de arrependimento.
Além desta, encontramos outra dificuldade: o castigo sobre um dos poucos justos da cidade, a mulher de Ló, convertida numa coluna de sal, e não numa estátua, como algumas traduções o fazem.
Como podemos harmonizar a imagem de um Deus amoroso e perdoador, que de tanto amor se fez carne, habitou entre nós e se entregou à morte por nossa causa, com o Deus incendiário que petrificou a mulher por ter simplesmente olhado para trás? Sempre interpretamos a petrificação desta mulher como um castigo pela desobediência. É possível uma outra leitura deste texto?
1. O contexto do evento
Um pouco da geografia e das lendas do lugar têm o seu valor. A cidade de Sodoma ficava ao sul do mar morto. Gomorra era uma cidade vizinha, juntamente com Admá, Zoar e Zeboim.
A região contém um dos mais brutais acidentes geológicos do planeta, pois a Palestina está no maior “buraco” no solo da crosta terrestre, a 400 metros abaixo do nível do mar. O rio Jordão nasce numa montanha ao norte de Israel e vem descendo cheio de vida até desaguar no mar Morto (também chamado Arabá ou mar Salgado). Suas águas compreendem o maior depósito de sal e enxofre do planeta. Não há qualquer espécie de vida neste mar como: peixes, algas, corais, crustáceos, moluscos.
As lendas do lugar dizem que este “buraco” na região e o nível altíssimo de sal e enxofre são conseqüências da destruição das cidades. Os antigos diziam que não apenas a mulher de Ló foi transformada em estátua de sal, mas todos os habitantes das cidades também.
Mas a geologia detectou que milhares de anos atrás houve um tremor no solo submarino, que atingiu até a África, provocando uma rachadura na crosta terrester, que se refletiu neste desnível no solo, o que não explica o nível de sal e enxofre em suas águas.
Coluna de sal conhecida como mulher de Ló próxima ao Mar Morto.
2. Os personagens do evento
Já conhecemos Ló como o sobrinho de Abraão, filho de seu irmão Naor, que morrera na terra natal e se tornara como um filho adotivo para Abraão. As filhas virgens de Ló são mocinhas na nossa cultura, em idade adolescente, mas mulheres feitas na cultura da antiguidade.
A tradição rabínica enriquece a interpretação destes textos com alguns detalhes adicionais. Um deles é que Ló tinha quatro filhas, duas das quais já estavam casadas na época da destruição. Ló ofereceu aos homens da cidade suas filhas virgens. As casadas não foram mencionadas porque já tinham maridos. Outra informação é o nome da mulher de Ló: Idit (Irit ou Edit).
Ló saiu de Sodoma e se refugiou em Zoar, mas depois da chuva de fogo saiu da cidade e foi habitar as montanhas (Gn 19.17-22 e 30). Foi de Zoar que Idit contemplou a destruição das cidades e ali foi transformada numa coluna de sal. Quando Ló saiu de Zoar ele já estava viúvo e suas filhas não tinham noção de quantos seres humanos restariam para repovoar o mundo, e por isso tomaram a iniciativa do incesto (Gn 19.30-38).
3. Os conflitos do evento
Idit olhou para trás, desobedeceu à ordem expressa do anjo que disse: “escapa-te, salva a tua vida, não olhes para trás, nem te detenhas em toda esta planície. Escapa-te para os montes para que não pereças” (Gn 19.17). Por que Idit quis olhar para trás? Por que tamanho castigo lhe foi imposto, já que ela era uma das pessoas da cidade a quem os anjos puxaram pela mão para salvar da destruição? Será que foi castigo?
É comum ouvirmos pregadores afirmarem que a mulher de Ló se arrependeu ao deixar a cidade porque amava aquele lugar, porque teve pena de abandonar sua casa e suas coisas. Isso nos parece pouco real quando olhamos para o texto.
O texto hebraico deixa pistas que Idit realmente tinha duas filhas casadas, que ficaram em Sodoma. As traduções em português dizem que os genros que zombaram de Ló eram os noivos das filhas (Gn 19.14), mas na verdade a expressão hebraica hatan na maioria das vezes significa “marido de filhas”. Pode ser noivo também, mas a maioria das vezes a palavra é aplicada como genro marido e não genro noivo. O coração de mãe de Idit realmente lhe deu motivos suficientes para olhar para trás lamentando, não pela cidade, mas por suas filhas que ali ficaram. Quanta coisa poderia estar acontecendo no coração de Idit naquele momento?
4. As soluções do evento
Estas descobertas sobre o texto nos colocam diante de um quadro mais perturbador do que o que tínhamos antes do estudo, como se o texto nos revelasse um Deus que não leva em conta nem mesmo a natureza materna que Ele colocou na alma feminina.
Há algo mais profundo neste “olhar para trás” que muitas vezes nos fica embaçado porque a cena é tão traumática que ficamos petrificados como a coluna de sal, esquecendo-nos facilmente do propósito didático do texto. O que este texto pode ensinar a seus leitores?
Em primeiro lugar podemos aprender que não se deve ser espectador da destruição alheia quando nada pode ser feito para ajudar. Este é um conflito muito presente no nosso século. Se uma pessoa é atropelada, um monte de gente cerca a vítima, mas poucos tomam a iniciativa de socorrer. A mulher de Ló é um exemplo desta contemplação doentia pela desgraça alheia, algo a que o cristão não deve se adaptar. Michael Gold faz uma ressalva importante. Ele diz que quando não podemos ajudar, devemos desviar o olhar, porque as vítimas têm direito à privacidade de sofrerem sua dor sem serem humilhadas pela contemplação dos curiosos.
Uma outra lição que Idit nos ensina é a de não se deve colocar esperanças ou manter o coração num projeto do qual até Deus já desistiu. Ser transformada numa coluna de sal, não nos parece uma punição, muito menos arrependimento ou vontade de voltar para a cidade, mas apenas a conseqüência de manter o coração no projeto errado, por mais que nossa carne esteja envolvida nele. A petrificação de Irit é o reflexo de estar perto demais daquilo de que devemos manter distância. Talvez ela tenha se aproximado para ver se suas filhas não vinham correndo pelo caminho... quem sabe?
Neste mesmo texto há um recorte (Gn 19.27,28). Abraão, aquele que intercedera, contemplou a mesma destruição e bem de frente, mas de longe. Deus lhe prometera que, se encontrasse pelo menos dez justos a cidade seria salva. O olhar de Abraão para a destruição dizia: “nem dez justos havia!” O olhar de Irit dizia: “minha família está sendo destruída!”
Para pensar e agir
A compreensão do plano de Deus para nossa vida também atinge os nossos vínculos familiares?
Estamos gastando nosso tempo com projetos que não estão mais no coração de Deus?
Como discernir quando um projeto não merece mais nosso investimento de energia e dedicação?
Estamos aptos a confiar nas decisões de Deus a nosso respeito ou às vezes somos tentados a pensar que Ele não está sendo justo?
Leitura Diária
Segunda-feira – Gênesis 18.17-22
Terça-feira – Gênesis 18.23-33
Quarta-feira – Gênesis 19.1-8
Quinta-feira – Gênesis 19.9-14
Sexta-feira – Gênesis 19.15-23
Sábado – Lucas 17.20-37
Domingo – II Pedro 9.1-11
BATALHA DE ARMAGEDÃO
Muita gente tem uma noção errônea, se tem mesmo qualquer noção, sobre a Batalha de Armagedão. Pensam alguns que a última Guerra Mundial foi a Batalha de Armagedão. Outros têm avançado a idéia que ela será uma guerra entre católicos e não católicos. Ainda outros ensinam que ela é para ser um mero conflito espiritual entre o bem e o mal sem qualquer realidade literal. Outros, contudo, a confundem som o cerco aludido em Apoc. 20:8, que é para ser depois do Milênio. Todas estas idéias são inescriturísticas e indignas de consideração séria.
Estudemos esta batalha por notarmos o seguinte:
I. Por que a batalha é assim chamada?
A batalha é chamada segundo o logar em que ela é para ser ferida. Vide Apoc. 16:13-16. A Versão Revista dá o nome de Har-Magedon, que se define como significando a !montanha de Megiddo?, que se situa à margem sudoeste da Galiléia. Por isto se quer dizer, talvez, não meramente a montanha mesma senão a montanha e a seção em redor. Esta seção se descreve como !um elevado planalto rodeado de colinas? (Carpenter). Ela forma um passo para o Norte e assim foi famosa como campo de batalha. Esta vizinhança foi à cena de duas notáveis vitórias e três notáveis mortes. As vitórias foram: a de Baraque sobre os cananitas e de Gideão sobre os midianitas. As mortes foram: a de Saul, a de Acazias (morto por Jeú) e a de Josias. Mas o evento mais famoso de todos está ainda para ocorrer lá.
II. Quem deve ser os combatentes?
Os combatentes devem ser os reis da terra e os seus exércitos sob a chefia da besta e dos falsos profetas de um lado, e o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores com o Seu povo ! os judeus e os santos glorificados ! de outro lado. Vide Joel 2:11; Zac. 12:2,3,8,9, 14:3; Apoc. 19:11-12.
III. Os pormenores da batalha
Próximo ao fim do período da grande tribulação a besta e o falso profeta (a segunda besta ! Apoc. 13:11) despacharão seus emissários a iniciar as nações da terra para se ajuntarem contra Jerusalém (Apoc. 16:13-16, 19:19). Com isto não fazem senão cumprir o propósito de Deus, porque é Seu desígnio reunir todas as nações juntas para o fim de as julgar (Joel 3:2) e derramar sobre elas Sua indignação e furiosa ira (Zac. 3:8). Os exércitos das nações serão permitidos de capturar Jerusalém e nela produzir grande destruição (Zac. 14:2). Na aproximação dos exércitos e a captura da cidade serão mortos dois terços dos judeus então na Palestina (Zac. 13:8,9). Todos os judeus em Jerusalém que não forem mortos serão ou capturados ou enxotados da cidade (Zac. 14:2). Então, o Senhor aparecerá para livrar Seu povo (Zac. 14:4). Então, a julgar do fato que Apoc. 16:16 diz que as nações devem ser ajuntadas num logar chamado Armagedão, tomamos que os exércitos das nações, alarmados pelos eventos que pressagiarão a vinda do Senhor, desertarão Jerusalém em retirada para o Norte. Em Armagedão o Senhor os apanhará e os visitará vingadoramente como descrito em Isa. 66:15,16; Zac. 14:12,13; Apoc. 16:17-21, 19:20,21.
IV. A vingança do senhor em conexão com esta batalha será mundial
A vingança do Senhor far-se-á visitar não somente sobre os exércitos das nações que vem contra Jerusalém, mas também sobre todos os ímpios por todo o mundo. Cremos que isto está patente nas seguintes passagens: Jer. 25:15-33; Isa. 24:17-21; 26:20,21; 34:1,2.
V. A revelação desta batalha com o julgamento das nações
Cremos que o julgamento das nações, como traçado em Mat. 25:31-46, terá logar em conexão com a Batalha de Armagedão. cremos que Mat. 25:31-46 é uma figurada dos tratos de Deus com as nações na Batalha de Armagedão e a destruição que sobrevirá. É nisto que todos os joios devem ser ajuntados do Seu reino e queimados (Mat. 13:40-43). Ninguém sobrevirá a esta prova excepto os justos. Para a relação entre esta batalha e o julgamento das nações vide Joel 3:2,12,13. Notai também Joel 2:10,31; 31:15-16; Isa. 13:10,11 em conexão com Mat. 24:29.
VI. Este período de destruição mundial será !o dia do senhor?
Vide Isa. 2:12; 13:9; 34:8; Jer. 46:10; Ez. 30:3; Joel 1:15; 2:11; Amós 5:18-20; Obadias 15; Zac. 1:15,18; 14:1. !O dia do Senhor? é para ser um dia de duração prolongada (Zac. 14:6,7).
VII. Um novo céu e uma nova terra emergirão do dia do senhor
Vide Isa. 34:4; 65:17-25; 2 Ped. 3:10-13.
A PEDRA REJEITADA PRECIOSA
Nos últimos dias antes da sua morte, Jesus confrontou, desafiou e repreendeu os líderes religiosos em Jerusalém. Estes ficaram frustrados quando Jesus recebeu a adoração da multidão na sua chegada à cidade. Eles se sentiram ofendidos e ameaçados quando ele expulsou os comerciantes do templo. E quando ensinou no próprio templo – a casa de Deus que eles consideravam território próprio deles – questionaram a autoridade de Jesus para fazer tais coisas. Os servos infiéis questionaram a autoridade do Filho sobre seu uso da sua própria casa!
Jesus mostrou a incoerência da conduta desses líderes com uma simples pergunta sobre o batismo de João. Eles, mais preocupados com a política do que com a verdade, recusaram responder (Mateus 21:23-27).
Parábolas sobre a Rejeição pelos Líderes Religiosos
Depois desta conversa com os principais sacerdotes e os anciãos dos judeus, Jesus usou duas parábolas para mostrar a rebeldia deles diante de Deus. Na primeira, ele mostrou que os pecadores penitentes foram mais justos do que os religiosos rebeldes (Mateus 21:28-32). Na segunda, ele falou de servos encarregados com a vinha do seu senhor. Ao invés de pagar os valores devidos ao dono da vinha, estes servos maus maltrataram e mataram os mensageiros que ele mandava receber os pagamentos. Afinal, o dono da vinha mandou seu próprio filho, achando que eles o respeitariam. Os lavradores, vendo a oportunidade de tomar posse da vinha, mataram o filho do dono. As pessoas que ouviram a parábola entenderam que o dono teria todo motivo para destruir aqueles servos maus (Mateus 21:33-41). Os líderes dos judeus entenderam, corretamente, que Jesus usou aquelas parábolas para falar deles e de suas atitudes erradas para com Deus (Mateus 21:45-46). Os desafios continuaram, os religiosos armando ciladas para Jesus, e o Cristo mostrando a perfeita sabedoria que os silenciou (Mateus 22 e 23).
Jesus: A Pedra Rejeitada pelos Construtores
No meio destas discussões (Mateus 21:42), Jesus citou a profecia de Salmo 118:22-23 – “A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos.” Esta profecia do salmista e uma referência semelhante em Isaías 28:16 se tornaram pontos importantes na pregação apostólica. Além de três dos relatos do evangelho incluirem o comentário de Jesus (Mateus 21:42; Marcos 12:10 e Lucas 20:17), pregadores como Pedro e Paulo desenvolveram e aplicaram o mesmo tema.
Nas construções antigas, a pedra angular era a pedra de esquina que servia para alinhar toda a construção. A escolha de uma boa pedra facilitaria a construção conforme a planta. Uma pedra fora de esquadria resultaria numa construção errada. Os construtores de Israel julgavam Jesus uma pedra inadequada para o tipo de construção que eles queriam. Deus o julgou perfeito para edificar a igreja conforme a planta divina.
Jesus: A Pedra Eleita e Preciosa
Pedro fez a aplicação direta quando repreendeu os líderes em Jerusalém: “Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular” (Atos 4:11). Algumas décadas depois, ele usou o mesmo princípio para frisar a importância da santidade dos cristãos (1 Pedro 2:4-10). Ele mencionou a rejeição da pedra angular pelos descrentes, mas fez seu apelo aos crentes. Para os servos do Senhor, a mesma pedra é “eleita e preciosa”. Baseado neste princípio da preciosidade da pedra angular, Pedro disse aos cristãos: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9). Paulo fez a mesma aplicação deste tema: “Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor” (Efésios 2:19-21).
Os Cristãos: Pedras que Vivem
Por terem uma relação especial com a pedra angular, eleita e preciosa, os cristãos devem viver de maneira distinta do mundo: “Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo” (1 Pedro 2:4-5).
A Pedra Rejeitada Hoje
Na época de Jesus, Pedro e Paulo, a maioria dos líderes religiosos – mesmo aqueles que afirmavam servir a Deus – rejeitaram o próprio Senhor. Eles queriam construir suas congregações e movimentos conforme as suas próprias idéias, enfatizando alguns princípios da palavra de Deus e ignorando outros. As tradições destes líderes, muitas vezes, tomou o lugar da verdade revelada por Deus. Há muitos construtores no mundo religioso atual. Líderes religiosos procuram construir igrejas e iniciar e manter movimentos religiosos. Em todos os casos, devemos avaliar estas construções para ver como tratam a pedra angular escolhida por Deus. É triste observar que muitos dos construtores hoje imitam os religiosos que rejeitaram Jesus há 2.000 anos. Rejeitam o Senhor e a palavra dele e estabelecem outras bases que se tornam sagradas.
Algumas Pedras Erradas
Quando suplantam Jesus, os construtores colocam suas próprias pedras no fundamento de suas igrejas e movimentos. Geralmente, estas pedras são distorções de ensinamentos bíblicos. No caso dos fariseus do primeiro século, as pedras erradas eram várias. Alguns exemplos: regras humanas sobre o sábado (Marcos 2:23-28; os fariseus faziam acréscimos à lei do sábado que Deus havia dado aos judeus – Êxodo 31:12-18), tradições dos homens sobre como lavar as mãos e as louças (Marcos 7:3-9), e ensinamentos sobre jeitos de evitar suas responsabilidades para com seus pais (Marcos 7:10-13).
Hoje, líderes religiosos têm escolhido outras pedras, também distorcendo verdades reveladas nas Escrituras ou acrescentando suas próprias doutrinas. Considere alguns exemplos atuais:
O Livro de Mórmon. A pedra angular dos mórmons é o Livro de Mórmon. Eles dizem: “Joseph Smith traduziu o Livro de Mórmon para o inglês pelo dom e poder de Deus. Ele disse que o livro ‘é o mais correto que existe sobre a face da Terra e a pedra angular de nossa religião e [que] um homem pode se aproximar mais de Deus observando os seus preceitos do que pelos de qualquer outro livro.’ (History of the Church, 4:461). O Presidente Ezra Taft Benson ajudou-nos a entender como o Livro de Mórmon é a pedra angular de nossa religião....” (citação do site www.mormons.com.br). Ao invés de aceitar Jesus Cristo como a pedra angular, eles adotam um outro evangelho como o fundamento de sua religião. Lembremos a advertência dada pelo apóstolo Paulo: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gálatas 1:9).
Uma Forma Exclusiva do Nome de Deus. Apesar do fato que os apóstolos usavam traduções das Escrituras que representavam nomes divinos em outros idiomas, várias seitas têm surgido defendendo formas “autênticas” de escrever e pronunciar nomes de Deus (Jeová, Yehoshua, Yeshua, etc.). No zelo pela forma do nome, alguns desses grupos até alteram as Escrituras inserindo a forma “autêntica” em textos onde não aparece. As Testemunhas de Jeová, por exemplo, usam uma versão da Bíblia na qual os tradutores inseriram o nome Jeová no Novo Testamento mais de 200 vezes, apoiando a aplicação deste nome ao Pai e negando o fato que Jesus, também, é o Senhor descrito no Antigo Testamento como YHWH (Jeová). É impossível compreender o primeiro capítulo de Hebreus e ainda negar que Jesus é o Senhor Eterno identificado como YHWH.
Métodos Específicos de Crescimento. Outros movimentos têm destacado determinados métodos de crescimento – métodos específicos de discipulado, organização de igrejas em células, etc. – como a característica que os define. O sistema humano se torna o ponto principal, e pessoas que não adotam o mesmo sistema são rejeitadas.
O Evangelho Social. Alguns grupos têm focado suas obras sociais de maneira que enfatizam o segundo mandamento acima do primeiro (Mateus 22:36-40). Estas igrejas desviam sua atenção de sua missão espiritual e concentram seus recursos e suas obras em atividades sociais.
O Ecumenismo. Numa sociedade em que a tolerância é valorizada mais do que a verdade, o espírito ecumênico se tornou mais importante do que o Senhor Jesus. A pedra angular de algumas religiões é a convivência pacífica, abandonando a guerra espiritual dos verdadeiros cristãos (2 Coríntios 10:3-6) e esquecendo totalmente o sentido da nossa santificação.
Voltar à Pedra Angular Verdadeira e Eterna
O desafio diante de nós é simples, mas exigente: voltar à pedra angular verdadeira. “Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Coríntios 3:10). “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam” (Salmo 127:1). Voltar a Jesus significa mais do que a aceitação dele como Salvador. Significa o compromisso de obedecê-lo como Senhor, aquele que tem toda autoridade (Mateus 28:18-19; Colossenses 3:17; 1 Pedro 4:11; 2 João 9). É essencial respeitar a pedra angular para construir conforme a planta original dada por Deus.